12/09/2008

São Paulo para cima e sempre

Fonte: Jornal da Tarde

Vistos como vilões, os prédios altos podem ser solução para a cidade. Se houver planejamento

A verticalização é a solução para uma cidade sustentável. A afirmação pode parecer estranha para quem vive em São Paulo, onde a concentração de prédios é freqüentemente apontada como a grande responsável por problemas como o trânsito e a poluição. Mas urbanistas e representantes do mercado imobiliário consultados pela reportagem do JT Imóvel são categóricos ao afirmar que a solução para os principais problemas de São Paulo passa pela verticalização.

“A verticalização é a receita para uma cidade mais sustentável, mas, para isso, é preciso que haja planejamento. As cidades consideradas modelos de sustentabilidade no mundo são mais verticais do que São Paulo. Mas houve planejamento para essa verticalização”, explica o professor de Arquitetura e Urbanismo Carlos Leite, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

A explicação dos defensores da verticalização planejada é que, sem prédios, a cidade seria ainda mais dispersa. E as cidades espalhadas precisam de mais infra-estrutura de transporte e consomem mais energia, o que é pouco sustentável. Além disso, a verticalização amplia o acesso à moradia, já que permite que muitas famílias morem em um mesmo terreno ampliando assim o acesso às regiões mais centrais. Outra vantagem de uma cidade verticalizada com planejamento é que os prédios novos podem abrigar carros que ficariam na rua.

“Os prédios hoje guardam muitos automóveis em suas garagens, evitando que eles fiquem parados nas ruas. Além disso, as construções hoje estão sujeitas a estudos de impacto de trânsito e, por isso, dão contrapartidas como a construção de ruas, instalação de semáforos”, diz Odair Senra, vice-presidente do Sinduscon.

O maior perigo da verticalização é quando ela acontece em regiões onde não há infra-estrutura para os novos moradores. “Bairros distantes carentes de infra-estrutura não devem ter verticalização acentuada. Ou a infra-estrutura chega antes dos empreendimentos, como aconteceu em Paris e acontece agora em Londres para a Olimpíada, ou a solução é verticalizar áreas onde há infra-estrutura, que em São Paulo seria na região central”, completa Leite.

Mas, na Capital, aconteceu exatamente o contrário. A legislação não conseguiu conter o avanço do mercado imobiliário e a demanda por novas moradias. Por isso, a infra-estrutura sempre chega depois a bairros mais afastados do Centro. “A cidade optou por um modelo de moradia e de transporte baseado no uso do automóvel. Em 1957, o prefeito Adhemar de Barros reduziu o coeficiente de aproveitamento dos terrenos e, ao mesmo tempo, desistiu de investir no Metrô”, diz Nadia Somekh, diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie.

Soluções para a cidade

Compactação da cidade com maior adensamento dos bairros centrais;

Investimento em transporte coletivo;

Estímulo a investimentos em bairros centrais esvaziados, de preferência para moradia de várias classes (Exemplos: Pari, Brás, Centro);

Aproximar as pessoas do seus locais de trabalho;

Aumentar a verticalização em bairros centrais e restringir em áreas mais afastadas e sem infra-estrutura;

Repovoamento do Centro Criação de novas ‘centralidades’ em locais distantes e adensados;

Equilibrar oferta e demanda de imóveis com planejamento urbano agressivo;

Discutir o aproveitamento dos terrenos. Hoje, praticamente, não há estoques.

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