17/10/2008

Segmento deve se valorizar

Fonte: Jornal da Tarde

Até a situação melhorar, muita gente deve alugar e esperar para financiar uma casa própria

O segmento de locação terá valorização ainda mais com a questão da crise financeira. Para quem não quer entrar em uma dívida de longo prazo na compra da casa própria, alugar o imóvel se mostra uma alternativa até que haja segurança para a compra.

“Hoje, o preço do aluguel está em um patamar correto, pois se estivesse caro haveria vacância, o que não acontece. Em alguns bairros, a disponibilidade é praticamente zero.Contudo, com a falta de segurança das pessoas em entrar em um financiamento, poderá haver uma pressão ainda maior desse mercado, o que provocará uma valorização”, afirma Guilherme Ribeiro, diretor de seminovos da Fernandez Mera.

Se o mercado espera uma valorização do preço do aluguel, a expectativa é que a oferta de imóveis também cresça com a transferência dos investimentos do ramo financeiro para o imobiliário. “Algumas pessoas gostam de investir nessa área para ter uma renda garantida, que pode vir de aluguel. Já foi mais tradicional esse tipo de negócio, mas pode voltar caso haja mais gente comprando imóvel para ter uma aplicação segura do dinheiro. Além do valor do aluguel todo mês, a valorização do m² garante bom retorno para quem investiu”, explica Roseli Gouveia Lopes Hernande, gerente geral de locação e vendas da Lello Imóveis.

No entanto, como o mercado já registra a procura por imóveis muito maior que a oferta, essa situação não deve equilibrar o mercado. “Ainda vamos continuar tendo filas para locação de imóveis. Isso já ocorre há um bom tempo e não deve mudar”, aposta Roseli.

Pesquisa
As pesquisas sobre locação do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP) analisaram o mercado até agosto, quando a crise financeira internacional já havia começado, mas ainda não trazia tantos reflexos para o País. No período, o levantamento apontou uma desaceleração no número de locações em 16% em relação a julho no Estado de São Paulo.

Essa queda se deu pela redução do número de imóveis vagos para o negócio e pelo preço alto das unidades disponíveis. “Ainda não podemos apontar a influência da crise nessa pesquisa”, comenta José Augusto Viana Neto, presidente do conselho.

Os dados revelam que o tipo de imóvel mais procurado pelos inquilinos em agosto foi a casa, com 57,83% da preferência; os apartamentos ficaram com 42,17% dos contratos fechados no período. A maior parte dos negócios só foi possível de ser realizada por causa do cancelamento de contratos com a devolução de imóveis, que correspondeu a 58,93% das novas locações, mostrando um tempo ocioso muito pequeno para as unidades entregues.

O fiador ainda é a modalidade de garantia de locação mais utilizado nos negócios, presente em 43,44% do contratos fechados na Capital, 87,7% no Interior do Estado, 48,31% no Litoral e 55,19% na Região Metropolitana.

Ainda na análise por área estadual, os contratos fechados em agosto tiveram, na maioria, valor do aluguel mensal de até R$ 400 na Capital e Região Metropolitana. Já no Interior e no Litoral, a maioria das novas locações realizadas estava na faixa de preço mensal entre R$ 401 e R$ 600.

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