10/02/2008

Sem barreiras para lay out interno

Fonte: O Estado de S. Paulo

Conceito de plantas 100% flexíveis chega a mercado de médio padrão; produtos miram público “descolado”

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisFlexível – Modelo de construção adotado pela Idea Zarvos. Caracteriza-se pela ausência de colunas e vigas. Há também vários pontos de descida de água e esgoto, o que permite alteração total no formato da planta, inclusive no que diz respeito ao banheiro

Imagine a possibilidade de comprar um apartamento e escolher quantos quartos ele terá, qual o tamanho de cada um e onde ficará cada parede. Ou seja, ter 100% de flexibilidade. Pelo menos duas incorporadoras, a MaxCasa e a Idea Zarvos oferecem essa liberdade ao comprador em São Paulo, para unidades de médio padrão.

Na planta do apartamento de 70 metros quadrados do empreendimento MaxHaus, da MaxCasa, na região do Morumbi, apenas as paredes do banheiro, além das externas, não podem ser removidas. Também não há colunas e vigas no meio do espaço. Isso permite que o proprietário formate seu desenho interno da forma que bem entender. Outra característica marcante dessas unidades são as janelas amplas e uniformes, que não obrigam à caracterização de uma área fixa.

O apartamento pode ser entregue sem nenhuma parede, apenas com um acabamento, rústico, no teto e no chão, por aproximadamente R$ 200 mil. De acordo com informações obtidas no estande de vendas do empreendimento, a empresa oferece algumas opções de planta de até três dormitórios ao custo aproximado de R$ 1,7 mil por parede. “É possível também contratar um arquiteto de fora para projetar e executar a obra”, disse um corretor de vendas. O custo disso fica a cargo do comprador.

Os empreendimentos da Idea Zarvos têm características estruturais parecidas com o Max Haus (ausência de colunas e com janelas amplas), mas são ainda mais flexíveis, pois seus prédios são dotados de várias descidas de água e esgoto, o que permite escolher inclusive onde ficarão a cozinha e o banheiro.

O preço das unidades também é diferente já que a metragem varia entre 90 m² e 150m² e são construídas em bairros já consolidados, como a Vila Madalena.

Mercado

De modo geral, quando o assunto é customização e a possibilidade de fazer alterações na planta do apartamento, o mercado ainda está carente de opções.

Algumas construtoras dizem que o cliente pode fazer qualquer alteração nas plantas. Só precisa respeitar eventuais restrições técnicas. A princípio, ao ouvir esse discurso, o candidato a proprietário de um imóvel pensa que poderá fazer grandes alterações no projeto do apartamento.

Entretanto, quando se trata de imóveis de baixo e médio padrão, a história não é bem assim. “O máximo que pode acontecer é a construtora apresentar algumas opções de planta ou a possibilidade alterações pequenas no desenho do imóvel”, explica o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi – SP), João Crestana. Isso acontece em razão da forma como os prédios são construídos, com paredes interdependentes onde qualquer alteração pode comprometer a estrutura.

“De fato, é mais fácil fazer um prédio desses. O difícil é achar tantas pessoas que queiram morar num lugar igual”, diz o proprietário da Idea Zarvos, Otávio Zarvos, justificando a opção de sua empresa por trabalhar na flexibilidade dos imóveis. Ele conta que há 15 anos, quando construía prédios tradicionais, já notava a demanda por personalizações nas plantas. “Mas, por mais que criássemos várias opções, nunca era o bastante para o cliente”.

Para Crestana, esse tipo de produto – cujo conceito, segundo ele, se assemelha com os lofts americanos da década de 60, 70 e 80 – têm muito espaço para crescer, principalmente entre o público mais “descolado”. No entanto, ele não vê a tendência se massificando.“Pessoas menos analíticas e mais expressivas costumam se identificar com esse modelo. Mas a grande maioria prefere as plantas onde cada espaço já está atribuído.”

Por outro lado, Crestana crê que o novo conceito pode influenciar as construtoras mais tradicionais a criar mais opções de personalização para os condomínios mais “quadradinhos”.

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