31/07/2013

Será que as manifestações enfraqueceram a economia?

É certo que a onda de protestos aumentou a incerteza no cenário político, mas foi apenas um tempero adicional em um País sem indícios de mudanças

É certo que a onda de protestos aumentou a incerteza no cenário político, mas foi apenas um tempero adicional em um País sem indícios de mudanças efetivas nos ministérios ou na política econômica

Macroeconomia

O Brasil tem passado por meses difíceis – manifestações populares inéditas combinadas com a deterioração das expectativas econômicas foram capazes de “derreter” a Bolsa e enfraquecer o Real. Culpa dos jovens que foram às ruas? Longe disso. O fato das expectativas se tornarem piores resulta de muitos outros fatores, como aumento das taxas de juros, intervencionismo do governo, inflação acima do teto da meta, subida do dólar e demais ingredientes da chamada “tempestade perfeita” no nosso mercado. Houve ainda um aumento no déficit de conta corrente (de 2,4% para 3,2% do PIB nos primeiros meses do ano), o que gerou a necessidade de mais investimentos externos para fechar a conta num momento em que o capital parece um tsunami em vazante.

Esse momento da conjuntura econômica gera impactos na condução dos negócios (Foto: Banco de Imagens/ Think Stock)

 

Sem disciplina fiscal sobrou o aumento de juros para estabilizar a economia – projeções para Selic já chegam a 10% no final do ano. O aperto monetário somado às incertezas com a condução da economia devem segurar o crescimento abaixo de 2% em 2013, e já tem bancos projetando o dólar em R$ 2,45 para final do ano. É certo que a onda de protestos aumentou a incerteza no cenário político, mas foi apenas um tempero adicional em um País sem indícios de mudanças efetivas nos ministérios ou na política econômica.

 

 

Esse momento da conjuntura econômica gera impactos na condução dos negócios. Nos próximos meses, passa a ser crucial privilegiar a liquidez e a segurança, deixando planos de investimento para depois. Salvo algumas exceções ligadas aos setores de infraestrutura, educação e agribusiness, é aconselhável otimizar o capital de giro da empresa, melhorando a qualidade do “contas a receber”, reduzir estoques e renegociar prazos e condições com fornecedores.

 

*É professor do Insper e da FIAUSP, e sócio da Condere Consultoria  – www.condere.com.br

 

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