24/08/2009

Setor de imóveis em alta na Bolsa

Fonte: O Estado de S. Paulo

Papéis de empresas do segmento foram os que tiveram maior valorização em 2009

Ações de empresas ligadas ao mercado imobiliário foram as que mais valorizaram-se em 2009. Analistas concordam tratar-se de bom investimento no momento, mas recomendam que antes de definir seus alvos, o pequeno investidor diversifique os segmentos ou opte por até um fundo de investimento.

De acordo com levantamento da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), feito a pedido do Jornal da Tarde, no grupo dos cinco papéis com melhor desempenho até o momento dentro do Índice Bovespa (Ibovespa), três são de companhias do setor. Os melhores resultados foram das ações da Construtora e Incorporadora Rossi, que do início do ano até o dia 19, data do levantamento, valorizaram 212,47%.

Apesar do bom momento, Ricardo Almeida, professor de finanças do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), avalia que o pequeno investidor deve diversificar suas aplicações em ações de companhias de vários setores.

Almeida pondera que é difícil prever até quando vai durar a boa fase das empresas do setor imobiliário. “Hoje a situação do mercado é favorável, mas e se os ventos mudarem?”, questiona. Na opinião do professor de finanças do Insper, é preciso comprar hoje com o pensamento voltado para o período entre três e cinco anos, no mínimo.

Ricardo Almeida recomenda aos investidores com pouca intimidade no mercado de ações que procurem aplicar em fundos com o auxílio de corretoras. “Essas empresas possuem profissionais que dispõem de informações mais detalhadas.”

Flávio Conde, analista da Gradual Investimento, afirma que a valorização dos papéis das companhias do setor imobiliário em 2009 é um ajuste por conta das quedas verificadas no final do ano passado. Segundo ele, alguns papéis perderam entre 60% e 90% do valor entre setembro de 2008, quando a crise econômica se agravou, e os primeiros meses ano, quando as medidas de ajuda ao setor, lançadas pelo governo, começaram a surtir efeito. Conde afirma que há espaço para mais valorização, pois as ações de algumas empresas estão com preços próximos aos anteriores à crise, mas há papéis que ainda não recuperaram todo o fôlego, o que deve ocorrer nos próximos meses.

O analista recomenda aos investidores que já têm ações de companhias do setor imobiliário não se desfazerem dos papéis. Ele afirma que o segmento é um dos que têm as melhores perspectivas para os próximos três anos, porque o mercado de imóveis conta com boas condições de desenvolvimento. “A Selic (taxa básica de juros) está baixa e os bancos têm mais recursos para financiar as vendas de imóveis, uma operação em que o risco é baixo”, avalia.

Conde ressalta que a melhora das condições da economia doméstica, com retomada do emprego, leva mais pessoas a assumirem compromissos de longo prazo, como a compra da casa própria. Ele afirma que a expectativa do mercado é que o setor imobiliário cresça até 30% nos próximos cinco anos.

André Mello, analista sênior da Tov Corretora, acredita que a valorização das ações do setor imobiliário já atingiu seu pico e, se os investidores pensarem em vender seus papéis para embolsar os lucros, os preços podem baixar. “Como muitos papéis atingiram alta rapidamente, a possível venda pode estabilizar ou derrubar os preços”, avalia.

Mello recomenda aos que ainda não compraram que analisem o desempenho das empresas do setor e só depois decidam com qual ou quais fazer negócio. Àqueles que não dispõem de conhecimento para fazê-lo, Mello também sugere um fundo, cujo administrador define os papéis e aplica o dinheiro. Ele avisa que é preciso tomar cuidado com as taxas de administração. “Descarte os que cobram além de 2% ao ano.”

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