03/12/2008

Setor de material de construção sente impacto da crise

Fonte: Agência Estado

Em outubro, o faturamento do setor caiu 10% em relação ao mesmo mês do ano passado e teve ligeira queda de 0,2% na comparação com setembro

As vendas do varejo de materiais de construção estão refletindo a retração do consumo decorrente da crise financeira internacional. Em outubro, o faturamento do setor caiu 10% em relação ao mesmo mês do ano passado e teve ligeira queda de 0,2% na comparação com setembro, segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). Na prática, quem já havia começado a construção ou reforma não interrompeu o processo. Mas uma parcela dos que pretendiam realizar obras, porém, preferiu adiar o momento de iniciar a construção. 

Diante da redução das vendas, a Anamaco revisou para baixo a projeção de crescimento para 2008. A entidade projeta expansão de 9,5% do faturamento do varejo de materiais, ante a meta anterior de aumento de 10,2% nas vendas. Em 2007, as varejistas que atuam no segmento faturaram R$ 39,48 bilhões. Até setembro, antes do acirramento da crise internacional, as vendas de materiais registraram forte ritmo de crescimento, de acordo com o presidente da Anamaco, Claudio Conz. Nos 12 meses encerrados em outubro, houve expansão de 10,5%.

No mês de outubro, com a retração dos financiamentos, as vendas de materiais nas lojas caíram, comportamento que se repetiu nos primeiros dias de novembro. Segundo Conz, o ritmo de comercialização em novembro está menor que no mesmo mês de 2007 e que em relação a outubro deste ano. Há expectativa que as vendas ganhem algum fôlego em dezembro com a entrada no mercado dos recursos do 13º salário, mas ainda assim a tendência de desaceleração não deve ser revertida.

VENDAS – Conforme o presidente da varejista de materiais de construção Dicico, Dimitrios Markakis, as vendas nas lojas abertas há mais de um ano recuaram 2% em outubro em relação ao mesmo período de 2007. Já em novembro, as vendas devem encerrar com alta de apenas 3%. Até setembro, o crescimento médio mensal estava em 12%. O desempenho recente levou a Dicico a revisar para baixo a expectativa de incremento nas vendas para esse ano de 12% para 9% sobre o resultado de 2007.

Os efeitos da crise também afetaram a intenção de gastos dos consumidores de materiais de construção. Pesquisa do Programa de Administração do Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA), apontou redução na intenção de gastos dos consumidores com materiais de construção no quarto trimestre em relação ao terceiro trimestre desse ano, de R$ 3,6 mil para R$ 2,6 mil.

A professora do Provar Patrícia Vance explica que essa retração na intenção de gastos reflete a restrição na concessão de crédito e o receio dos consumidores em contrair dívidas num momento de incertezas em relação ao futuro da economia. Ela ressalta que os gastos com reformas geralmente podem ser adiados, já que não são compras baseadas no impulso, mas racionais, que dependem de planejamento e, em alguns casos, de contratação de mão-de-obra.

Segundo o presidente da Anamaco, passou a ser mais difícil contratar crédito nas lojas de materiais  junto à maior parte dos agentes financiadores, e as próprias revendas estão mais seletivas na concessão de financiamento aos clientes.

RETRAÇÃO – A retração registrada pela Anamaco contrasta com o que vem sendo observado pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), que revisou, esta semana, a projeção de crescimento das vendas internas em 2008 de 23% para 28%. No mês passado, a entidade havia elevado a expectativa de expansão do patamar de 18% a 20% para 23%.

De janeiro a outubro, as vendas domésticas das indústrias materiais subiram 36,47% ante o mesmo intervalo de 2007. Nos últimos 12 meses, a expansão foi de 34,16%. Na comparação com setembro, as vendas internas cresceram 4,4% em outubro. Conforme o presidente da Abramat, Melvyn Fox, no curto prazo, a crise não vai ter influência no segmento, pois as obras continuam, e os projetos estão orçados e aprovados.

Parte da diferença dos indicadores da entidade que reúne as indústrias e da que representa os lojistas pode ser explicada, segundo o presidente da Anamaco, pela formação de estoques pelo varejo diante da preocupação de que pudesse haver falta de materiais. Normalmente, as varejistas compõem seus estoques no fim do ano, o que também eleva a demanda por materiais. Além disso, uma parcela das vendas da indústria de materiais é feita diretamente às construtoras, sem passar pelo varejo.

 Para 2009, a expectativa da Anamaco é que o faturamento das lojas de materiais de construção cresça de 7% a 9%. Considerando apenas o consumo de materiais pelo estoque de 50 milhões de moradias no País, haveria expansão de 3,5% a 5%, mas há perspectiva de avanços na liberação de recursos para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As vendas do segmento podem ser impulsionadas também quando o Plano Nacional de Habitação (Planhab) começar a ser implantado, segundo o presidente da Anamaco. O Planhab traça metas para o combate ao déficit habitacional até 2023.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.