26/11/2006

Síndicos rumo à modernidade

Fonte: O Estado de S. Paulo

Zap o especialista em imóveis

A maioria dos condomínios residenciais de São Paulo e do Brasil tem ocupando a função de síndico moradores eleitos em assembléia pelos vizinhos e não um síndico profissional. São pessoas que dedicam parte do seu tempo livre que poderiam destinar a outras atividades. Queremos aproveitar mais este Dia do Síndico, comemorado em 30 de novembro, para ressaltar o grau de profissionalismo que esses ocupantes “leigos” do cargo vêm atingindo.

Um levantamento que realizamos neste ano com cerca de 1.100 clientes de condomínios na capital paulista, ABC e Guarujá apontou que 23% dos síndicos são empresários, comerciantes ou industriais. Há também 9,8% de engenheiros, 9,5% de administradores e 8,7% de advogados. Também foi recorrente a menção de outras profissões como médico, professor, economista, dentista, arquiteto e contador, entre outras.

Esse perfil, mais ligado a atividades administrativas e profissões liberais, está intrinsecamente relacionado ao nível de conhecimento técnico que a própria gestão dos condomínios passou a exigir nos últimos anos, uma vez que novas leis atingiram a rotina dos edifícios, incluindo complexas obrigações fiscais, tributárias e trabalhistas, e demandando, conseqüentemente, maior preparo por parte de quem assume a função de síndico.

Os próprios moradores de condomínios passaram a exigir dos novos síndicos eleitos maior experiência administrativa. Tanto que a rotatividade no cargo, hoje, é maior que em décadas anteriores, quando era comum um mesmo condômino exercer o cargo por anos a fio. Outro levantamento que realizamos apontou que 78% dos condomínios de São Paulo elegeram novos síndicos nos últimos dois anos.

Com base na experiência e acompanhamento das assembléias ordinárias, também pudemos perceber que, atualmente, é maior o número de pessoas dispostas a se candidatar ao cargo. A rotatividade e o maior interesse pelo cargo de síndico estão ligados, principalmente, ao entendimento da importância e complexidade da função. Hoje os moradores de condomínio têm muito mais acesso à informação e sabem que a valorização de seu patrimônio está diretamente relacionada à correta gestão do prédio.

E como cidadãos com atividades paralelas, executivos ou proprietários de empresas, conseguem se desdobrar para, ao mesmo tempo, resolver todas as pendências relacionadas ao dia-a-dia dos condomínios, entre pagamento de contas, controle da inadimplência, intermediação de conflitos de vizinhança, gerenciamento do quadro de funcionários, cuidados com a segurança e manutenção preventiva de equipamentos nas áreas comuns?

A resposta está na Tecnologia da Informação. Sem sombra de dúvida, a internet e os avanços tecnológicos facilitaram a vida dos síndicos, permitindo que pessoas com vida profissional ativa também pudessem acumular a função nos condomínios, tendo acesso aos principais dados sobre a gestão condominial na tela do computador, de qualquer lugar do planeta.

Outra razão, e não menos importante, é que os atuais síndicos, pela própria experiência administrativa acumulada, delegam mais tarefas ao subsíndico, conselheiros, zelador e administradora, e por vezes conseguem mobilizar outros condôminos, não integrantes do corpo diretivo, para auxiliar em algumas atividades. O síndico moderno atua como um diretor de empresa, que conta com o apoio de seus gerentes, coordenadores e assistentes, supervisionando os trabalhos da equipe e cobrando resultados.

Com gestão profissional, os condomínios de São Paulo e do país garantem um patrimônio mais valorizado, além do bom funcionamento dos equipamentos e serviços disponíveis, para maior conforto, segurança e harmonia entre os moradores, quesitos imprescindíveis da vida em coletividade.

*Antonio Pacheco Couto é diretor-superintendente da Lello Condomínios

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.