09/03/2009

Sistema de captação de água pluvial reduz gasto de condomínio

Fonte: O Globo

Com tubulação foi instalada em novembro os gastos com a conta de água do conomínio devem baixar 22%

Rio de Janeiro – Que venham as águas de março! É tudo o que o síndico Sérgio Mol, do Edifício Regina, no Flamengo, quer. Afinal, ele já conseguiu, com um sistema simples de captação de água de chuva – projetado por ele mesmo com a ajuda de um bombeiro – reduzir em 22% a conta de água de seu condomínio. O sistema foi instalado em novembro e, graças à economia no trimestre seguinte, a cota mensal de R$ 550, paga pelos moradores de cada um dos 49 apartamentos, deverá baixar, já a partir de abril.

O sistema é bem elementar: no telhado, uma calha de apenas 11 centímetros de diâmetro recebe a água, que desce por uma tubulação até duas caixas d””””água que ficam no térreo. “Essa água é utilizada somente para lavar áreas comuns do prédio e carros de moradores, além de molhar as plantas. Mesmo assim, o investimento, de R$ 2,5 mil, foi recuperado em três meses”, conta Mol.

O síndico detalha: em 15 de novembro, a conta de água fora de R$ 4.965, valor equivalente à média mensal gasta pelo condomínio. Até que o sistema de captação de água de chuva foi instalado, e o valor caiu cerca de mil reais nos meses seguintes – em 15 de fevereiro, a conta chegou a R$ 3.876.
“Como não tem chovido desde então, acredito que a economia este mês será menor. Por isso, estamos calculando de quanto poderá ser a redução da cota de condomínio, que será alcançada também graças a outras medidas implantadas recentemente”, explica Mol.

Fato é que, como as chuvas se tornaram mais intensas em todo o mundo devido ao aquecimento global, soluções racionais e sustentáveis como essa podem render benefícios para casas e edifícios em geral. Em janeiro, mês que resultou na maior economia para o Regina, o índice pluviométrico medido pela Geo-Rio na estação Laranjeiras foi de 218,8, contra a média de 162,9 do mesmo mês entre os anos de 2001 e 2008.

O especialista Romualdo Costa, diretor da Cosh/Soluções Ambientais Sustentáveis, elogia a iniciativa de Sérgio Mol. Só faz uma observação, para os casos em que a água fica muito tempo armazenada: é aconselhável tratá-la. “Nesses casos, é importante fazer filtragem e tratamento adequados”, diz Costa.

Costa lembra que novas edificações no Rio de Janeiro já recebem esse tipo de solução desde a concepção do projeto. É que o decreto municipal 23.940/2004 torna obrigatória – em novas construções com área impermeabilizada acima de 500 metros quadrados – a instalação de reservatório que retarde o escoamento da água da chuva para a rua (evitando enchentes) e permitam seu uso para fins não-potáveis. Além disso, a lei estadual 4.393/2004 obriga construtoras a instalarem dispositivos para essa captação em prédios residenciais com mais de 50 unidades.  

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