30/10/2006

Só queda de juros ajuda consumidor

Fonte: O Estado de S. Paulo

Aumento de oferta de crédito nos bancos privados determinada pelo governo não faz baixar custo de financiamento imobiliário

Monalisa Lins/AEZap o especialista em imóveisOferta – Governo determina aumento de oferta de crédito para compra de imóveis, mas juros continuam limitantes para a renda do trabalhador

O governo federal determinou, por meio do Banco Central e da Comissão de Valores Monetários (CMN) que os bancos que utilizam os recursos da poupança para financiar imóveis aumentem em R$ 842 milhões, neste segundo semestre, o valor do crédito imobiliário. Isso altera em 50% a meta destes bancos, antes fixada em R$ 2,5 milhões para o período, e agora passa a ser de R$ 4,5 milhões.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Décio Tenerello, os bancos vão tentar atingir esta nova meta, mas explica que o objetivo determinado com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC) foi de aumentar a oferta em 40% em relação ao mesmo período de 2004.

Mas na prática, isto não significa que o crédito imobiliário ficará mais acessível ao consumidor. A oferta de dinheiro para quem busca os bancos particulares aumenta, mas os juros continuam em torno de 12% ao ano mais a Taxa de Referência (TR), o que resulta em cerca de 14% ao ano. “O crédito imobiliário está ligado à capacidade de renda da população. Só com o crescimento da economia o trabalhador tem segurança para buscar o financiamento”, diz Tenerello.

Financiar o imóvel próprio é um desafio para milhares de brasileiros. É preciso poupar para garantir a contrapartida exigida para o financiamento que, em geral, corresponde a 30% do valor do imóvel. Quem tem Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pode fazer uso do que está depositado.
Tenerello diz que os juros são tabelados por lei e só vão diminuir com o crescimento da economia e a baixa da Taxa Selic (taxa de referência).

“Quando vamos reduzir a taxa de juros? A hora em que a Selic começar a cair, isto fará com que a taxa de juros do crédito imobiliário seja revista, como também a valorização de poupança”, afirma. Hoje, a taxa anual da poupança gira em torno de 6,17% ao ano mais a TR.

Na avaliação de Tenerello, os bancos têm se interessado mais pelo mercado do crédito imobiliário com a criação da Lei 10.931, em 2004, que estabeleceu novas regras como a afetação de patrimônio, para proteger o consumidor de falências de construtoras e a alienação fiduciária, que apressa a tomada do imóvel em caso de não pagamento.

O HSBC e a Nossa Caixa fizeram pacotes especiais para imóveis novos ou usados no valor de até R$ 150 mil com a redução de juros de 12% ao ano para 11% ao ano. Os juros podem chegar a 9% de acordo com a renda familiar. As parcelas do financiamento não podem ultrapassar 25% da renda da família. Já o Santander Banespa criou uma nova política para financiamentos de imóveis no valor acima de R$ 350 mil. “O mercado começa a ver como bom negócio e não como obrigação.”

Serviço 
www.nossacaixa.com.br
www.hsbc.com.br
www.santander.com.br
www.abecip.org.br  

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