29/04/2007

Socialmente verde

Fonte: O Globo

Protótipo inglês de condomínio popular sustentável começa a ser copiado em outros países

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisCondomínio de BedZed, que fica no suburbio londrino de Wallington, é considerado um exemplo de arquitetura sustentável: tem madeira de reflorestamento tijolos reciclados e sistemas de economia de água e energia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como no caso de todo protótipo, nem tudo é perfeito na terra dos BedZeds, o apelido do misto de conjunto habitacional com unidades de negócios que pôs no mapa o antes pouco atraente subúrbio de Wallington, ao sul da capital inglesa. Mas o projeto — que combina proteção ambiental com proposta social, numa cidade que historicamente é agressiva à natureza e onde a especulação jogou os preços dos imóveis nas alturas — tornou-se um exemplo de construção verde que está prestes a ser seguido em outros cantos da Europa e na África.

Não por causa de cores berrantes na fachada ou a assinatura de algum arquiteto badalado. Construído em 2002, o Beddington Zero Energy Development trouxe a proposta de criar a maior ecocomunidade do Reino Unido. O objetivo inicial era que os 82 apartamentos (há também espaço para salas comerciais) não emitisse qualquer percentual de carbono, como acontece pelo uso de combustíveis fósseis — a alternativa era uma usina que produziria energia elétrica proveniente de biomassa. Planos que esbarraram na falência, em 2005, da empresa que operava o equipamento, mas que nem por isso mancharam a reputação dos BedZeds: o projeto que recebeu oito prêmios de arquitetura, como o Oscar britânico da categoria, o Housing Design Awards, em 2003.

— Mesmo sem a usina, podemos nos orgulhar de operar com 56% menos em termos de emissões de carbono do que conjuntos habitacionais tradicionais. E o fato de que toda semana temos que organizar visitas para especialistas ou mesmo o público em geral é prova de que nosso exemplo está provocando impacto — afirma Jennie Organ, gerente-comercial da BioRegional, ONG empreendedora de projetos ecologicamente sustentáveis.

Energia: 58% da média de Londres

Divulgação Zap o especialista em imóveisIluminação externa garantida por janelões, paredes de vidro e construção voltada para o Sul

Os BedZeds são o resultado de uma parceria da BioRegional com o Peabody Trust, organização que há 150 anos constrói e gerencia casas a preços acessíveis em Londres. Quinze unidades foram reservadas para famílias de baixa renda, que pagam aluguel, e dez apartamentos, para funcionários de setores como educação e saúde.

O restante foi posto à venda, por processo direto ou via sistema de leasing, e negociado em menos de um ano. Atualmente há pelo menos mil candidatos na fila de espera — apesar dos preços salgados, que variam na faixa de US$ 210 mil (R$420 mil) a US$380 mil (R$760 mil), e, em alguns casos, 30% acima da média do mercado. O pequeno número de unidades é um dos fatores que explicam o nível dos preços.

Mas o sucesso comercial foi saudado como detalhe diante da missão de promover um estilo menos agressivo de convivência com o meio ambiente, cumprida com minuciosos detalhes. A começar pela construção: pelo menos 15% do material usado para erguer os conjuntos de tijolos e madeira eram reciclados, ao passo que outros 52% vieram de um raio de 70 quilômetros do canteiro de obras — para evitar as chamadas emissões indiretas, que são provocadas pelo transporte do material.

Na vida prática, os resultados são ainda mais verdes para os 220 moradores do conjunto, graças a uma combinação entre tecnologia e planejamento. Os BedZeds usam apenas 10% da energia média necessária para aquecer um apartamento, já que são construídos com um sistema de isolamento térmico (estima-se que a falta de revestimento apropriado em paredes possa resultar num desperdício de até 33% do aquecimento numa casa comum) e contam com painéis de captação de energia solar. Todas as unidades têm terraço voltado para o Sul, maximizando o aproveitamento da luz do sol.

Os prédios contam também com um sistema de ventilação que utiliza a própria energia do vento para fazer circular ar fresco pelos apartamentos. E têm um esquema para captar água da chuva e direcioná-la às descargas — uma das maiores fontes de desperdício de água em moradias tradicionais.

O uso da água tratada, por sua vez, também é otimizado: a ducha de um BedZed, por exemplo, lança mão de 40 a 50 litros por dia, quase a metade de um similar comum. As unidades são todas aparelhadas com eletrodomésticos de menor consumo energético que o de marcas tradicionais — por sinal, a quantidade de energia elétrica consumida em cada unidade do BedZed corresponde a 58% da média de Londres.

 

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