05/02/2008

Sol e estabilidade ´vendem` imóveis no Brasil para estrangeiros

Fonte: G1

Mercado imobiliário brasileiro faz sucesso entre europeus.
Empreendimentos turísticos e de negócios oferecem rentabilidade a investidores.

A combinação de sol e praias que faz a fama do Brasil no exterior está impulsionando mais do que o comércio de biquínis. Fortalecido pela estabilidade econômica e política do país, o mercado imobiliário brasileiro está fazendo sucesso entre os estrangeiros.

“É um movimento que vem acontecendo há três anos, desde 2005, com a perspectiva de melhora do país”, diz André Rosa, da consultoria imobiliária norte-americana Jones Lang LaSalle. “O investimento estrangeiro vem aumentando significativamente”.

Neste mês, o país foi listado por uma pesquisa da consultoria britânica HiFX como um dos destaques do mercado imobiliário mundial. A expectativa é de que desembarque por aqui pelo menos US$ 1 bilhão até o final do ano.

A crise por que vêm passando os mercados mundiais só beneficia esse movimento. “O Brasil, como outros países emergentes, tem sido observado como uma alternativa”, diz Rosa.

“Se houver efeito, vai ser positivo. Os investidores estão fugindo dos Estados Unidos”, aposta João Teodoro da Silva, presidente do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci).

Segundo os especialistas, os imóveis do país se valorizaram, em média, 20% nos últimos anos, mas continuam baratos em comparação aos países desenvolvidos. Com isso, o potencial de valorização é enorme: a expectativa é de que chegue a 30% em cinco anos.

“O preço das construções e dos terrenos, mesmo que estejam subindo, ainda são sub-avaliados. Por conta disso, ainda têm muito potencial”, diz Emma Holifield, da imobiliária britânica Property Frontiers.

A diferença cambial também ajuda. Embora o dólar esteja perdendo valor com relação ao real, o euro continua bastante valorizado. Desde novembro, a moeda sofreu valorização de cerca de 3% em relação ao real, tornando o Brasil mais barato para os europeus.

Lucro com turismo

De olho no mercado do turismo, as praias da região Nordeste se tornaram  “”meninas dos olhos”” dos grandes investidores nos últimos anos.

Só em Natal, onde os espanhóis do Grupo Sánchez pretendem construir o Grand Natal Golf Resort, a expectativa é de que o investimento em novos empreendimentos voltados ao turismo supere US$ 1,8 bilhão nos próximos cinco anos.

“O Rio Grande do Norte tem se tornado alvo de interesse de investimentos pela localização privilegiada. A região não tem nenhum tipo de catástrofe natural, tem custo de vida baixo e ainda fica perto da Europa”, explica Hugo Bueno Torres, gerente da Sociedade Potiguar de Empreendimentos (Spel), parceira do Grupo Sánchez no projeto.

“A área está atraindo interesse de investidores por ser relativamente inexplorada, com uma riqueza de belezas naturais”, diz Holifield, da Property Frontiers. Hoje, espanhóis e portugueses predominam entre os investidores em turismo no Nordeste.

Também no Rio Grande do Norte, está em desenvolvimento o Cabo São Roque, projeto que tem como “”garoto propaganda”” o jogador de futebol David Beckham. O resort terá 1.350 residências particulares e um complexo esportivo com o nome do futebolista.

Investidores vêem oportunidade

Apesar do crescimento dos estados do Nordeste, São Paulo e Rio de Janeiro ainda concentram a maior parte do investimento estrangeiro no mercado imobiliário.

“O investidor vai para onde tem a demanda. Mas ainda tem uma concentração muito grande no Sudeste, que é onde está a maior parte da renda do país”, diz Ricardo Betancourt, diretor geral da consultoria imobiliária norte-americana Colliers International.

Nessas regiões, o investimento é concentrado em imóveis comerciais e residenciais de alto padrão, tanto na compra de edificações prontas quanto na construção de novos edifícios. “Sempre que se fala em escritório, em prédios de padrão, estes acabam ficando em São Paulo e no Rio de Janeiro”, diz André Rosa, da LaSalle.

O maior atrativo desse mercado é o retorno comparado ao obtido em outros países. “Aqui o investidor consegue retorno de aluguel de 11% a 13%, mais IGP-M. São taxas muito atrativas. Lá fora as taxas são bem menores, de 6%, 7%”, afirma o especialista da Colliers.

“Há alguns anos a gente dizia que o mercado não tinha investidor. Hoje, a gente brinca que não tem imóvel suficiente para comprar”, diz Betancourt.

Os investimentos nessa área abrangem edifícios de escritórios, industriais e shoppings. No ano passado, a rede canadense Brascan negociou a compra da rede Plaza, dona dos shoppings Paulista, West Plaza e Pátio Higienópolis, em São Paulo. A rede estava avaliada em mais de R$ 1 bilhão. No Rio de Janeiro, o bilionário americano Jerry Speyer constrói, a um custo de US$ 450 milhões, duas “”torres gêmeas”” de escritórios.

“Há grupos americanos, canadenses, ingleses, alemães investindo. Agora, estamos notando até mesmo dos Emirados Árabes”, diz Rosa.

Apesar das perspectivas, os investimentos no país ainda não são vistos como livres de risco. “O Brasil é um país emergente. Ainda não é uma locomotiva. É um vagão, está se beneficiando do crescimento do mundo todo”, diz Rosa.

 

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