13/04/2010

Sonho mais distante: Inflação pressiona valor de imóvel novo

Fonte: Jornal da Tarde

Custo da construção (Sinapi) tem alta de 5,81% em 12 meses e empreendimentos preferidos pela classe média, com preço até R$ 145 mil, tornam-se mais raros na capital e acabam sendo “empurrados” para regiões mais afastadas

No acumulado de 12 meses, a elevação chega a 5,81% (Foto: Divulgação)
No acumulado de 12 meses, a elevação chega a 5,81% (Foto: Divulgação)

O sonho da casa própria pode ficar literalmente mais distante para parte dos brasileiros. O aumento dos custos da construção civil já ameaça pressionar os preços dos imóveis e fazer com que unidades com valor abaixo de R$ 145 mil só sejam encontradas em áreas mais afastadas da capital.

Dois índices que medem a inflação do setor de construção divulgados na sexta-feira apontam para cima. O Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fechou março com alta de 0,76% ante 0,43% em fevereiro. No acumulado de 12 meses, a elevação chega a 5,81%. O Índice Nacional da Construção Civil (INCC), elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), segue a mesma tendência: alta de 0,75% em março e de 4,71% em 12 meses.

Ricardo Almeida, coordenador do curso MBA de Negócios Imobiliários da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), aposta na redução ou até no desaparecimento de novas unidades de até R$ 145 mil (dois dormitórios) ofertadas nas grandes capitais do País. “Quando houver, estarão nas áreas mais afastadas das regiões centrais”, diz o especialista.

Ele atribui justamente aos custos do setor, incluídos os preços dos terrenos, a dificuldade de se oferecer unidades nesta faixa de valor em grandes centros.

Almeida acredita que a melhora do nível de renda do conjunto da população permitirá que as pessoas em condições de financiar casas ou apartamentos a partir de R$ 150 mil não tenham dificuldade. “Para este segmento não haverá maiores problemas”, afirma.

Para o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, o INCC deve terminar 2010 na casa dos 8%, bem acima dos 3,25% registrados em 2009. A elevação dos custos, acrescenta ele, tende a pressionar os preços para cima. “Ainda que os repasses não sejam integrais, acontecerão”, avalia.

João Crestana, presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), que representa as construtoras e incorporadoras, enxerga a inflação como um problema a ser resolvido. Ele afirma que, na tentativa de contornar a questão, as construtoras estão buscando reduzir seus custos. “Há empresas que se reúnem para comprar e obter melhor preço”, diz Crestana. Atualmente, acrescenta ele, um apartamento com 40 metros quadrados, no centro da capital, não pode ser comercializado por menos de R$ 160 mil, sob pena de impactar negativamente a receita da construtora.

De acordo com Crestana, as construtoras dedicadas ao segmento econômico, caso das empresas envolvidas com o programa “Minha Casa, Minha Vida”, deverão ter mais problemas devido à elevação dos custos, já que o programa só permite ofertas até R$ 130 mil. “Reivindicamos que o teto seja elevado para, pelo menos, R$ 145 mil”, diz.

Lançado em março de 2009, o “Minha Casa, Minha Vida” prevê a construção e a venda em condições especiais de 1 milhão de moradias para famílias com renda até R$ 4,65 mil (veja quadro). “Hoje há incompatibilidade entre custos e valor de venda”, garante o presidente do Secovi-SP.

NEGOCIAÇÃO – Adriano Gomes, professor de administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), não acredita que as construtoras e incorporadoras que se dedicam ao segmento econômico tenham dificuldades por conta dos custos. “Como compram mais porque usam mais, essas empresas têm um poder de barganha muito maior ao negociar preços com seus fornecedores”, diz.

A empresária Ana Cláudia Rodrigues, de 22 anos, morou na cidade de São Paulo até outubro do ano passado, quando mudou-se para São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

A troca de município, conta a empresária, se deu porque, à procura um imóvel, não encontrou alternativa que aliasse o preço que podia pagar – de até R$ 220 mil – às características que buscava na nova moradia. “Procuramos casas e apartamentos em São Paulo durante mais de seis meses, mas tudo estava além de minhas possibilidades”, recorda Ana Cláudia.

A empresária afirma ter buscado ainda opções em Guarulhos, mas acabou optando por São Bernardo do Campo porque o imóvel tinha o padrão mais parecido com o que queria. “Achei um sobrado com espaço amplo e uma edícula (pequeno cômodo nos fundos). Na capital não encontraríamos nada parecido”, diz.

PARA FAMÍLIAS COM RENDA ATÉ R$ 1.395 – Não há taxa de juros no programa, a prestação equivale a 10% da renda familiar, sendo que a parcela mínima é de R$ 50 e a correção dos valores é feita pela TR. O prazo máximo é de 10 anos. O trabalhador que ficar desempregado fica isento do pagamento das parcelas por seis meses

Renda de R$ 1.395 a R$ 2.325
Juros de 5% ao ano mais TR. Prazo máximo de pagamento de 30 anos. Em caso de desemprego, a Caixa refinancia até 36 parcelas

Renda de R$ 2.325,01 A R$ 2.790
Juros de 6% ao ano mais TR. Prazo máximo de pagamento de 30 anos. Em caso de perda do emprego, a Caixa refinancia até 24 parcelas

Renda de R$ 2.790,01 a R$ 4.650
Juros de 8,16% ao ano mais TR. Prazo máximo de pagamento de 30 anos. Caso o mutuário perca o emprego, a Caixa refinancia até 12 parcelas

À VENDA:
Mérito Aricanduva
Apartamentos de dois ou três dormitórios entre 47 m2 e 62m2, a partir de R$ 116 mil
Av. Aricanduva, 9.300 – Itaquera
www.livingconstrutora.com.br

Res. Aricanduva Life
Apartamentos de dois ou três dormitórios, a partir de R$ 93 mil
Rua José Costa Andrade, s/nº – Cidade Líder – www.tenda.com.br

Privlllege vila maria
Apartamentos de dois ou três dormitórios, com áreas entre
41,8 m2 e 44,64 m2, a partir de
R$ 150 mil – Rua Soldado José V. de Paula, s/nºRua Costa Barros, 2249 – Vila Prudente
www.mrv.com.br

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