30/10/2006

Sozinho, sistema não protege

Fonte: O Estado de S. Paulo

Equipamentos sofisticados só são eficazes com treino de pessoal

Uma coisa é certa entre especialistas quando o assunto é segurança: a tecnologia sozinha não faz milagres. É preciso aliá-la à metodologia e mão-de-obra qualificada. “Se você não tiver os três unificados, você pode gastar o que for que não vai ter um sistema de segurança eficaz”, afirma a gerente do departamento operacional do Grupo Hubert, Ellen Ai Lin Sun.

“A tecnologia também é vendida de uma forma mágica”, alerta o diretor comercial da Techsys Logística & Administração, Gad Adler. Israelense, ele é especializado em segurança e destaca a importância do fator humano nesse processo.

Assim, funcionários bem treinados poderão controlar com mais eficiência os aparelhos até então vistos apenas em filmes de ficção científica que o mercado de segurança já tem disponível. “A gente está indo para algo super sofisticado”, comenta o diretor da administradora Habitacional, Fernando Fornícola, que também é o diretor administrativo da Associação das administradoras de Bens, Imóveis e Condomínios de São Paulo (Abic).

Ele mesmo nunca viu, mas sabe que existe um sistema de identificação em portaria por meio do reconhecimento da íris. E também um modelo de reconhecimento facial da pessoa, identificada pelos pontos do rosto. Esse tipo de aparelhagem é mais comum em empreendimentos comerciais, segundo Fornícola, mas já estão sendo usados por condomínios residenciais de alto nível.

Imagem Digital

Em relação ao padrão médio num sistema de segurança, o equipamento básico do circuito fechado de TV está sendo substituído pela tecnologia DVR, pela qual as câmeras gravam as imagens digitalmente num computador e que podem ser acessadas pelos moradores via internet por meio de uma conexão de banda larga.

O sistema de biometria (que mapeia partes do corpo) pela identificação da impressão digital para liberar o acesso ao prédio já é usada em portarias. “Nem sempre o porteiro é eficaz em saber se o prestador de serviço é ele mesmo”, exemplifica o presidente do Grupo Itambé, Fernando Oliveira Martins.

Essa mesma tecnologia também é usada nos elevadores mais modernos. Nesses, podem até nem existir os botões. Todas as pessoas autorizadas são cadastradas antecipadamente e ao colocar o dedo sobre o leitor, o sistema identifica qual o andar de destino e o elevador funciona. Para os visitantes, o porteiro pode destravar o aparelho ou o morador, de seu apartamento, autoriza a subida. “o custo ainda é um pouco alto”, salienta Ellen, do Grupo Hubert.

Na entrada do morador no edifício de carro, o controle remoto linear, mais difícil de ser clonado, emite sinais que identificam na guarita quem é que está chegando. Em alguns modelos, os dados do morador com a foto aparecem para o porteiro, que pode conferir se quem irá entrar é a pessoa certa.

Célula

Antes mesmo da construção do empreendimento, a equipe do Grupo Hubert faz uma análise do projeto para indicar equipamentos viáveis de acordo com o perfil do condomínio. E a segurança é um dos itens levados em conta. Um exemplo, que será adotado num edifício em Belo Horizonte, é a criação de uma célula de segurança. Disposta num local reservado e de difícil acesso, no posto, cujas portas serão blindadas, será feito todo o controle de acesso por meio de imagens digitalizadas.

Para se entrar na célula, na primeira porta, a pessoa deve passar pela identificação por biometria pela impressão digital. Ela só passa pela porta seguinte depois de ter entrada liberada por quem já está lá dentro, que a vê por meio de uma câmera.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.