18/02/2010

Sua casa pode atrasar por falta de mão de obra

Fonte: Jornal da Tarde

Pesquisa com construtoras mostra que a carência de trabalhadores qualificados no mercado é um dos principais problemas do setor

Especialistas afirmam que o problema não será resolvido antes de três ou quatro anos (Foto: Divulgação)
Especialistas afirmam que o problema não será resolvido antes de três ou quatro anos (Foto: Divulgação)

Os empresários da construção civil apontaram a falta de mão de obra qualificada como um dos principais problemas do setor. Entre as consequências da carência de profissionais especializados estão possíveis atrasos na conclusão das obras e falhas no acabamento. Isso é o que mostra a Sondagem da Construção Civil, nova série estatística da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo o levantamento, divulgado recentemente, 53% dos empresários indicaram a falta de profissionais qualificados como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do setor, atrás apenas da carga tributária.

Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sintracon-SP), reconhece que falta investimento na preparação das novas gerações de profissionais no segmento, mas afirma que o baixo salário desestimula a busca de emprego no setor por aqueles com melhor qualificação. Segundo Ramalho, o piso salarial estadual de trabalhadores com qualificação, caso de pedreiros, eletricistas e azulejistas, entre outros, é de R$ 917,40. Para os não qualificados, caso de ajudantes, o valor é de R$ 777,80.

Para ele, a falta de mão de obra qualificada leva a problemas na execução, como falhas no acabamento ou na instalação elétrica, além de atrasos na entrega. “Em alguns casos as tarefas são executadas por trabalhadores que não estão devidamente preparados”, diz. Segundo estimativas do sindicalista, este ano devem surgir, só no Estado de São Paulo, cerca de 75 mil vagas na construção civil a serem preenchidas por profissionais qualificados, de mestres de obra a engenheiros.

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Haruo Ishikawa, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção de São Paulo (Sinduscon-SP), diz que a solução encontrada pelas empresas foi formar os profissionais dentro da obra. “Qualificamos no próprio canteiro”, conta. Segundo Ishikawa, o Sinduscon-SP firmou convênio com o Serviço Nacional da Indústria (Senai) para qualificar cerca de 60 mil trabalhadores em práticas básicas em funções como carpintaria, pintura e assentamento de azulejos, entre outras. O executivo do Sinduscon-SP explica que são treinamentos com duração de 160 horas, que devem ter início em março em caráter experimental em quatro empreendimentos na capital e outro no interior.

João Crestana, presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), afirma que o setor também carece de engenheiros e o problema não será resolvido antes de três ou quatro anos. “O que as empresas estão fazendo é buscar estudantes de terceiro e quarto anos para contratá-los como estagiários e dar-lhes a vivência prática da atividade”, diz.

CHUVAS – Os temporais que têm assolado a capital e a região metropolitana também podem atrapalhar as entregas de empreendimentos neste semestre. De acordo com Odair Senra, vice-presidente de Mercado Imobiliário do Sinduscon-SP, o problema pode ser maior ou menor de acordo com o estágio de execução da obra. “Em fase inicial, há mais riscos do que na etapa de acabamento.” Segundo ele, atrasos elevam o custo da obra entre 15% e 18%, uma dor de cabeça para qualquer empreendedor.

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