23/12/2007

Sustentável e de baixo custo

Fonte: O Globo

Condições ecológicas e bioclimáticas, prioridades de projeto no Sul

Para permitir o conforto térmico e evitar o desperdício de energia, o projeto da casa aproveita estudos de orientação solar e dos ventos. Além disso, a parte externa tem pérgulas — estruturas de madeira que servem de suporte a trepadeiras que perdem as folhas no inverno, propiciando maior entrada da radiação solar; e se enchem de folhas no verão, criando um ambiente sombreado e fresco. A construção está sendo equipada, ainda, com coletores de água da chuva para uso no vaso sanitário e irrigação do jardim, economizando, assim, a água pura ou tratada.

Essa casa faz parte do projeto de um pequeno conjunto habitacional popular para o município de Nova Hartz, na área metropolitana de Porto Alegre. Por enquanto, é só um protótipo, desenvolvido por integrantes do Núcleo Orientado para a Inovação na Edificação (Norie), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com recursos da Caixa Econômica e da Finep. Mas já é considerada um marco nas pesquisas de construção sustentável da universidade.

O coordenador do projeto, professor Miguel Sattler, acredita que os componentes da casa criam um novo paradigma para a habitação popular. A construção do protótipo começou com recursos de R$20 mil, boa parte dos quais foi investida em mão-de-obra qualificada. Em materiais, foram gastos aproximadamente R$8.650.

— Está se proporcionando, a este custo, muito mais que uma casa. Constrói-se uma habitação mais digna, que abriga com conforto uma família de cinco pessoas, reduzindo significativamente os impactos sobre o meio ambiente — ressalta Sattler.

O material escolhido para a alvenaria foi o tijolo de cerâmica, produzido em praticamente todo o Rio Grande do Sul. Os materiais cerâmicos, explica o professor, não causam danos maiores ao meio ambiente e ao homem: na sua fabricação é usada a biomassa, constituída de madeira ou resíduos de madeira, um recurso energético renovável:

— Além disso, o ideal em uma construção que busca ser sustentável é utilizar materiais e mão-de-obra locais, diminuindo a poluição causada pelos caminhões que fazem o transporte e gerando empregos e renda na região — diz Sattler, explicando, ainda, que as esquadrias de portas e janelas são de eucalipto, tratadas com óleos essenciais extraídos de plantas da Amazônia para prevenir o ataque de cupins.

Para melhorar as condições de conforto na edificação, foi também feito um projeto cuidadoso de sua cobertura. Com chapas de alumínio — vendidas como sucata pelas indústrias gráficas e recicladas — instaladas entre a telha e o forro, foram criadas duas camadas de ar, que funcionam como isolantes térmicos.

O projeto, aliás, inclui ainda o monitoramento do desempenho térmico do protótipo (pesquisa financiada pela CNPq, em fase de conclusão), além do desenvolvimento de estudos sobre coletores solares para aquecimento d’água acoplados a fogões à lenha — com custo acessível à população de baixa renda. Para quem quiser saber mais sobre a experiência, ela estará descrita num novo volume da Coleção Habitare, do Programa de Tecnologia de Habitação da Finep, que sairá em breve: “Habitações de baixo custo mais sustentáveis”. A publicação também estará disponível para download gratuito no >www.habitare.org.br.

 

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