11/05/2009

Tamanho do imóvel aumenta, mas o preço também sobe

Fonte: Jornal da Tarde

No 1º trimestre houve uma mudança no perfil dos lançamentos na cidade com relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto a área aumentou até 15%, o preço subiu 30%. O número de empreendimentos caiu de 65 para 55

Zap o especialista em imóveisJuliano Andriani, 27 anos, procuraumapartamento com 1 dormitório: escassez e preços altos

A área dos apartamentos na cidade de São Paulo cresceu nos lançamentos do 1º trimestre desse ano se comparada ao mesmo período do ano passado. Porém, o custo do metro quadrado aumentou ainda mais, segundo levantamento da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

Nos apartamentos com 2 dormitórios, enquanto o crescimento da área foi de apenas 1,69%, passando de 52,53 m² para 53,42 m², o preço médio por metro quadrado saltou de R$ 2.131, 95 para R$ 2.498,85, uma alta de 17,20%. Para apartamentos de 3 dormitórios, a área aumentou 11,80% no período, de 75,87 m² para 84,83 m², enquanto os preços foram reajustados de R$ 2.632,29 para R$ 3.442,99 por metro quadrado, uma elevação de 30,79%.

Para apartamentos de 4 dormitórios, a área passou de 143,15 m² para 165,46 m² (13,5%), enquanto os preços por metro quadrado subiram 31,61%: de R$ 3.519,51 para R$ 4.632,18.

Luiz Pompéia, diretor da Embraesp, pondera que a amostra deste ano é menor – 65 lançamentos em 2008 e 55 agora e o número de unidades passou de 7.025 para 3.154 -, o que, segundo diz, distorce um pouco a comparação.

Para ele, como os aumentos foram maiores nos apartamentos com 3 e 4 dormitórios e acompanharam o ganho de área, o perfil dos empreendimentos pode ter mudado para um padrão mais elevado. Ele cita, ainda, como fatores para as altas, o cenário econômico, com a intensificação da crise, e o encarecimento dos terrenos.

O aumento do preço por metro quadrado dos imóveis segue uma tendência de longo prazo e essa alta não atinge mais que 3%, valor do reajuste do Índice Nacional da Construção Civil (INCC), na opinião de Milton Bigucci, vice presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi). Ao mesmo tempo, ele diz que, em tempos de crise, aumentam os custos para os empreendedores em itens como matérias primas, que são repassados. Os lançamentos do período ainda não tinham se beneficiado da redução de impostos para materiais de construção.

Na opinião de Pompéia, os aumentos são expressivos e, ao reajustar o preço de todos os tipos de imóveis, o mercado deixa de atender determinados nichos.”Há um excesso de imóveis com 4 dormitórios, que não são tão procurados como há alguns anos. Ao mesmo tempo, existe uma carência maior por imóveis com 1 dormitório, com preço de, em média, R$ 90 mil. No 1º trimestre deste ano, por exemplo, não houve nenhum lançamento do tipo. Em tempos de crise, os empreendedores deveriam diminuir os preços para aumentar a liquidez”, afirma.

Pompéia diz que a tendência é o aumento dos lançamentos de unidades com 1 ou 2 dormitórios. Como o planejamento de um projeto demora de seis a 12 meses, ele acredita que o mercado se adapte ao novo cenário neste ano.

O químico Fernando Iaccino, 42 anos, se assustou com os preços dos imóveis. Ele procura um com 3 dormitórios para os pais. “Comprei o meu de 1 dormitório há dois anos e percebi a valorização.”

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