16/12/2007

Tamanho dos imóveis impede a compra

Fonte: O Estado de S. Paulo

Pessoas com deficiência reclamam da metragem dos apartamentos

Nilton Fukuda/AEZap o especialista em imóveisAperto – Portas e corredores estreitos impedem Andrea Schwarz de comprar um apartamento

Na hora de comprar um apartamento, uma das dificuldades que as pessoas com deficiência, principalmente os cadeirantes, encontram é o tamanho reduzido das unidades, que impossibilita que a pessoa transite com conforto dentro do imóvel. De acordo com a norma NBR 9050/04, que determina os padrões e dimensões para acesso de pessoas nessas condições, a metragem mínima deve ser de 120 centímetros de largura nos corredores do imóvel e de 80 centímetros nas portas. “Entretanto, cada vez mais os apartamentos são construídos com metragens inferiores a essas”, explica Eduardo Ronchetti, responsável pela Mobilidade Arquitetura, escritório especializado em projetos de adaptação para pessoas com deficiência.

Segundo ele, as medidas adotadas pelas construtoras ficam em torno de 90 centímetros para os corredores e 60 centímetros para as portas, o que impede que o cadeirante entre sozinho no banheiro, por exemplo.

É por essa razão que a fonoaudióloga Andrea Schwarz , há nove anos numa cadeira de rodas, se vê impedida de comprar um apartamento novo. “Os empreendimentos até têm rampas de acesso e vagas reservadas nas garagem, mas a metragem das portas e dos corredores são muito pequenas.”

Ela relata que já encontrou apartamentos cuja largura da porta do banheiro media apenas 40 centímetros. “As únicas opções que encontrei eram apartamentos antigos, mas esses não têm rampas de acesso”, reclama.

Ronchetti explica que as leis federais que tratam do assunto, no casos dos condomínios residenciais, só fazem menção às áreas comuns do imóvel. “Ainda não existe nenhuma determinação que obrigue as construtoras a seguirem as orientações da norma de acessibilidade dentro das unidades”.

Na visão de Andrea, que está à frente da i.social, consultoria focada na inclusão social e econômica de pessoas com deficiências, o mercado imobiliário é carente de produtos que atendam a esse grupo: “Ao se restringir apenas em cumprir a lei, as construtoras perdem a oportunidade de olhar esse público, que, segundo dados da ONU, representam aproximadamente 14% da população brasileira, como potenciais consumidores.”

Para Ronchetti, não há uma fórmula fácil de contornar o problema, até porque cada pessoa com deficiência apresenta necessidades específicas.

“Na maioria dos casos será necessário fazer alguma adaptação. Sendo assim, o ideal é procurar um imóvel o mais próximo possível da necessidade do comprador.” Ele recomenda que a pessoa procure imóveis ainda na planta, pois fica mais fácil, e mais barato, fazer alterações no projeto. “No caso dos cadeirantes, além das metragens de porta e corredores, é interessante também observar detalhes como desníveis ou degraus na planta e a altura em que serão instaladas itens como pia da cozinha e do banheiro.”

Barreiras

Segundo o diretor do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Rogério Romeiro, são poucos os empreendedores que ajustam suas plantas para se enquadrar à norma NBR 9050/04. “Vontade de fazer existe, mas falta conhecimento sobre como fazer isso.” De acordo com ele, a norma é muito genérica e a lei não faz distinção em ambientes dentro das unidades para deficientes, o que dificulta a criação de um produto específico. No caso das adaptações para os cadeirantes, o custo é uma grande barreira. “Ele precisa de um espaço maior o que eleva muito o preço do imóvel”, diz.

“Além disso, quem vai construir fica com dúvidas sobre quantas unidades serão construídas de acordo com a norma e se haverá quem compre essas unidades.”

Romeiro também chama a atenção para a ausência de acessórios específicos para essas necessidades. “O setor de louças e metais, por exemplo, não oferece uma gama grande de produtos que atendam aos padrões que a norma exige.”

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