20/08/2004

Tatuapé: em busca do ouro

Fonte: Editoria Zap

Braz Cubas, o fundador da Vila de Santos, chegou em 1560 ao planalto de São Paulo à procura de ouro e pedras preciosas. Acampou na margem direita do ribeirão Tatuapé, na confluência com o rio Grande (Tietê). Nesse local nasceria o bairro do Tatuapé, que, em tupi-guarani, significa caminho do tatu.

Braz Cubas foi para o Rio de Janeiro e a terra foi ocupada por Rodrigo Álvares. A fazenda Piqueri passou então a se chamar Fazenda do Jatan. Houve então uma disputa pelas terras da região. Além do próprio Braz Cubas e de Álvares, personagens que se tornariam famosos reivindicavam seu pedaço de chão. Regente Feijó, Conselheiro Carrão, família Marengo e Anália Emília Franco acabaram se tornando donos de terras no Tatuapé.

A sesmaria cedida ao Padre Mateus Nunes de Siqueira em 1668 ampliou bastante a fazenda. A região passou a se desenvolver com a agricultura nas terras lavráveis em torno do rio e a criação de gado. Já em 1870 a riqueza vinha do café. A construção da estrada da Penha, onde hoje ficam as avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia, foi conseqüência desses lucros. A ferrovia Brás-Mogi das Cruzes foi inaugurada em 1886. A passagem das estações 5ª e 6ª Paradas pelo bairro valorizou os terrenos marginais, até então desprezados.

A chegada dos imigrantes e seus conhecimentos técnicos diversificou as atividades econômicas no Tatuapé. O bairro acolheu principalmente portugueses, italianos e espanhóis.

Os transportes de cargas fluviais eram feitos pelos “batelões”, barcos com mais de 10 metros de comprimento, movidos à tração humana. Os bondes puxados por burros não chegaram a servir a área, que conheceu de cara os bondes elétricos da Ligth and Power Co. Os bondinhos verdes, conhecidos como os ”cara-dura” transportavam cargas. Eram puxados por bondes comuns, os vermelhos, que só levavam passageiros.

Uma das grandes paixões do bairro, o Corinthians, inaugura sua praça esportiva em 1928 e o lazer ganha espaço. O cine São Luís, na avenida Celso Garcia, é cada vez mais freqüentado. Muitos namoros e casamentos se iniciaram no “footing” da mesma avenida.

Nos anos 1960, o comércio se diversifica e o quadro econômico altera a malha social. A classe média passa a ser maioria entre seus habitantes. Em 1981, a primeira estação de metrô completa a urbanização da antiga fazenda do Piqueri.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.