15/01/2009

Taxas de juros começam a baixar

Fonte: O Estado de S. Paulo

Medidas do governo para frear as altas e a cautela do consumidor fazem juros cair 0,12 ponto

As ações do governo federal para manter o nível de crédito e a cautela do consumidor em tomar dinheiro emprestado tiveram os primeiros efeitos no crédito em dezembro. Pesquisa divulgada ontem pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) mostra que, no mês passado, a taxa média dos juros cobrados de pessoas físicas foi de 7,49% ao mês, o que representa uma queda de 0,12 ponto porcentual.

Esse é o menor resultado desde setembro do ano passado, quando a crise econômica passou a impulsionar as taxas de juros cobradas do consumidor. O economista Miguel José Ribeiro de Oliveira, da Anefac, explica que a ação do governo foi fundamental para reduzir os juros. “O governo liberou os bancos dos depósitos compulsórios, o que injetou bilhões no sistema”, diz Oliveira. A falta de recursos no mercado, explica, levou os bancos em um primeiro momento a subir as taxas. Com a liberação de recursos dos compulsórios, a liquidez do mercado melhorou e os juros passaram a cair. Ao mesmo tempo, os bancos perceberam a retração da clientela e voltaram a assediá-la.

Além disso, a pressão do governo sobre os bancos para a redução do spread – diferença entre os juros de captação no mercado e os cobrados da pessoa física – contribuiu para que as taxas caíssem. “A perspectiva de que a Selic (a taxa básica de juros) caia nos próximos meses também contribuiu para que, em dezembro, a pessoa física já pagasse juros menores.”

Na maior parte das modalidades de crédito, as taxas recuaram, mas os efeitos da crise ainda são claros. “Um pessoa que financiou em agosto, em 24 vezes, uma geladeira de R$ 1,5 mil, está pagando parcelas de R$ 121,40. Antes da crise, os juros médios eram de 6,17%. Quem fez a compra em dezembro, com juros de 6,30%, está pagando prestações de R$ 122,85.”

O consultor financeiro Reinaldo Domingos lembra que o fato de os juros terem caído não indica que eles são baixos. “A pessoa deve fazer dívidas apenas se for necessário.” Fabrício de Castro.

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