08/05/2009

Tecnologia e imóvel popular

Fonte: Jornal da Tarde

Para urbanistas, futuro da Nova Luz é atrair quem quer morar perto do trabalho e serviços

O projeto de revitalização da Luz esbarra principalmente na desapropriação de 5 mil comerciantes da principal rua comercial da região, a Santa Ifigênia, e nas normas das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) nessa área e que exigem 80% de moradias voltadas para pessoas com renda igual ou menor que 16 salários mínimos – apenas 20% são livres. As construtoras defendem que as nomas sejam mais flexíveis.

O arquiteto e urbanista Paulo Ricardo Giaquinto, professor de planejamento urbano da Universidade Mackenzie, acredita que o projeto deva prever a habitação popular, assim como toda a área central da cidade.

“Uma região com difícil acesso para automóveis tende a atrair um público que ganha até cinco salários mínimos, pega metrô, ônibus e vê facilidades em morar no centro”, explica. Maurílio Scacchetti, diretor de atendimento da Habitcasa, prevê imóveis econômicos nessa área, de até R$ 200 mil.

A região precisa receber, na visão de Giaquinto, um investimento âncora que inicie um ciclo de novos incentivos.

“Centros culturais, como a Pinacoteca, não têm esse efeito. É necessário trazer a classe média para gastar na região. Para isso, o governo tem de criar condições contra o tombamento excessivo. Uma unidade da USP no local seria um exemplo.”

Com relação à empresas, Scachetti considera a região propícia para prestadoras de serviços, a exemplo de escritórios de publicidade e tecnologia.

“Porém, se quiserem atrair empresas maiores, as salas devem medir, no mínimo, 500 m². Segurança também é uma questão primordial para empresas, além de vagas de garagem”, diz Moacyr Oliveira, gerente de locação do Grupo Hubert.

Fábio Romano, diretor de incorporação da Yuny, afirma que os incentivos fiscais para as empresas se instalarem na região são essenciais para atrair quem queira morar no entorno do trabalho. “Mas os imóveis devem caber no bolso ou inovar, a exemplo dos lofts modernos.”

A urgência da revitalização da região pode ser percebida pelo número de lançamentos que recebeu desde 2006, segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Foram quatro empreendimentos, que somam cerca de 900 unidades.

Mas o potencial de valorização pode ser percebido: o valor por metro quadrado de área útil saltou de R$ 1.297 para R$ 2.323 entre 2006 e 2007. No ano passado, não houve nenhum lançamento na região.

Scacchetti exemplifica o potencial do centro com o Reserva Bom Retiro, que a Habitcasa lançou há dois anos. “Com unidades na faixa de R$ 150 mil e com 50 m2, vendemos as unidades em um ano.”

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