17/09/2006

Tendência é aumentar oferta de imóveis de 2 e 3 dormitórios

Fonte: O Estado de S. Paulo

Pacote habitacional tornou cenário propício para lançamentos voltados à classe média

Zap o especialista em imóveis

Tudo indica que a bola da vez do mercado imobiliário é a classe média. O pacote habitacional divulgado esta semana pelo governo federal – que prevê o crédito consignado e o fim da obrigatoriedade da cobrança da Taxa Referencial (TR) no empréstimo imobiliário – reforça um cenário propício para compra e venda de imóveis por meio de financiamento, modalidade de negociação que atende as classes média e baixa.

A tendência daqui para a frente é que o volume de lançamentos de unidades de dois e três dormitórios cresça.

Alguns empreendedores já demonstram disposição para investir em lançamentos do gênero. “Construtoras estão percebendo, acho até um pouco tardiamente, a grande demanda comprimida para habitação até R$ 750 mil, onde há maior público”, afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos sobre Patrimônio (Embraesp).

Até 2005, a oferta predominante era de alto padrão na cidade. “Os empreendedores vinham dando preferência sistemática a esse tipo de imóvel. Ainda estão produzindo bastante na faixa de R$ 400 mil a R$ 10 milhões, mas isso deve diminuir.”

De acordo com Pompéia, a alegação principal dos empreendedores para não lançarem produtos voltados ao público de renda média é o custo da produção. “Eles dizem que no mínimo se gasta R$ 90 mil, porque o terreno está cada vez mais caro.”

Mas o pacote do governo também prevê estímulos à produção. O limite de financiamento para a construção de habitações que antes era de 30% agora chega a até 60% do custo da obra.

Benefício

Os efeitos dessas medidas, no entanto, devem ser sentidos pela classe média, mas não tanto pela popular. “O benefício será maior para imóveis com valor de venda a partir de R$ 100 mil ”, afirma o diretor-Superintendente do Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais de São Paulo (Inocoop-SP), Richard Moreton Treache.

Na opinião dele, o novo pacote não vai resolver o problema do déficit habitacional. O crédito consignado, por exemplo, só deve atingir uma camada da população que tem trabalho formal registrado em carteira. “Este crédito dificilmente irá beneficiar as famílias mais necessitadas, com renda de até cinco salários mínimos. E a classe média será beneficiada com uma redução sutil na taxa de juros, que mesmo assim continuará altíssima.”

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