18/11/2007

Terra para compor as paredes da residência

Fonte: O Estado de S. Paulo

Misturada com outros materiais, resulta em construções resistentes

Materiais que “respiram” , que são ventilados e que, por isso, trazem maior conforto térmico à residência. Essa é uma das mais importantes características dos produtos ecológicos para compor paredes externas ou divisórias.

Divulgação Zap o especialista em imóveisFeno sendo misturado à terra, na técnica denominada terra-palha

Conforme a arquiteta especialista nesse tipo de material, principalmente a terra, Letícia Achcar – do escritório Primamatéria -, o consumidor pode ter paredes erguidas com essas técnicas porque alguns produtos são industrializados e vendidos no mercado; outros podem ser executados na própria obra.

Abaixo estão explicações de Letícia sobre cada tipo, para orientação de uma possível escolha de quem vai construir:

Bloco de entulho – Letícia salienta que o material precisa estar livre de matéria orgânica, principalmente vegetal. O que é aproveitado é o entulho mineral que será moído e que terá a execução do bloco feita com base em normas técnicas. Resíduos de construção civil (cerâmica, telha, tijolo, etc…) são os mais comuns na utilização. “Esse tipo de entulho é muito representativo na cidade, geralmente acondicionado nas caçambas”. Misturados a areia e cimento formam o bloco que comporá a parede. Existe o tipo de bloco que não é estrutural e aquele que pode levar ferragens em seu interior. São vendidos blocos inteiros, meios blocos ou canaletas. “Podem ter um bom trabalho de acabamento e ficar aparentes nas paredes”, explica Letícia. São vendidos nas medidas 14 cmx19cmx39cm. Sua resistência é de 3,8 MPa.

Divulgação Zap o especialista em imóveisTipo de bloco de solo-cimento

Tijolo de solo-cimento (ou BTC – Bloco de Terra Comprimido) – Letícia explica que o produto vem diretamente da fábrica e é entregue na obra. São blocos prensados por máquinas hidráulicas, explica a arquiteta, que consomem pouca energia e que são adequadamente reguladas, o que dá boa qualidade ao tijolo. O produto é composto de 8% a 10% de cimento e o resto é terra. “O assentamento é com cola, que vem junto com o produto”. A fôrma do tijolo, diz Letícia, já prevê o encaixe, o que dispensa o rejunte. “Essa característica é extremamente vantajosa para desenhar projetos modulares.” São vendidos tijolos inteiros ou meios tijolos e podem ficar aparentes. Têm resistência de 4.2 MPa, “equivalente à de um tijolo estrutural convencional”. A mão-de-obra no canteiro, diz Letícia, vai estar preocupada na boa execução da parede e não em quebrar tijolos para cumprir o desenho arquitetônico. “É recomendável passar um ferrinho nos furos a cada metro para tornar a estrutura mais resistente”. Esses furos, aliás, ajudam no isolamento térmico e acústico e também servem para passagem de tubulação hidráulica e elétrica.

DivulgaçãoZap o especialista em imóveisParede de escritório na av. Paulista feita de pau-a-pique

Terra – São técnicas executadas nos canteiros de obra. Pau-a-pique é uma delas. Não é estrutural e exige composição com uma grade de madeira. A terra é retirada abaixo de 60 cm do solo, pisada até ficar homogênea, isenta de pelotas, e triturada. A ela é acrescentado algum tipo de fibra (capim, palha, feno) mais água. Letícia explica que há muito interesse hoje por técnicas como essa.

Tanto que chegou a executar uma parede divisória de 17 cm num escritório na avenida Paulista, toda feita de pau-a-pique aparente. “Pode ser rebocado, emboçado e pintado”, diz Letícia. Os operários no canteiro não precisam ser especializados, mas necessitam ser orientados, explica a arquiteta, “porque perdemos a cultura de executar construções de terra”. Tijolos de adobe, outro tipo de produto com terra, são grandes e preparados em fôrmas sem fundo. Utiliza um tipo de terrra mais arenosa, diz Letícia, envolvendo 70% de areia e 30% de argila, mais uma rega de água. O material é batido e a fôrma é retirada para que ele seque. Terra-palha é mais um tipo citado por Letícia. No Brasil a terra, nessa técnica, é misturada à palha de trigo. Letícia utiliza em seus trabalhos a terra composta com feno: “Faço um material bem leve pensando no conforto térmico e acústico, pois é um tipo de bloco que contém muito ar”. A densidade é de 300 Kg por m³. Pilares de madeira montam a estrutura. Ainda feita in loco, existe a taipa de pilão. Compactadores hidráulicos fazem hoje em dia o processo. www.primamateria.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.