18/03/2009

TR menor pode baixar juros da casa própria

Fonte: O Estado de S. Paulo

Mudanças na poupança estão sendo preparadas pelo BC e o Ministério da Fazenda

A equipe econômica do governo federal estuda retirar a Taxa Referencial (TR) do indexador que corrige os financiamentos imobiliários para que os mutuários se beneficiem das mudanças que deverão ocorrer na fórmula de cálculo da correção da caderneta de poupança. A avaliação é de que, ao se reduzirem os ganhos da poupança, os bancos terão acesso a recursos mais baratos para financiar a compra da casa própria e, por isso, o benefício deverá ser repassado ao cliente. Atualmente, as instituições financeiras são obrigadas por lei a destinar 65% do saldo da aplicação a empréstimos imobiliários ( entenda porque o governo quer mudar regras da poupança).

A equação, porém, não é simples, pois a intenção da equipe econômica é estender a alteração de indexador para os contratos já em vigor. Tanto quanto as alterações referentes à caderneta, estas precisam da aprovação do Congresso Nacional.

As mudanças na poupança estão sendo preparadas pelo Banco Central (BC) e o Ministério da Fazenda, e foram oficialmente confirmadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última segunda-feira, em Nova York. O objetivo principal é evitar que grandes investidores – como os estrangeiros e os fundos de pensão – migrem para a aplicação.

MENOS ATRATIVO – A opção em estudo é, em princípio, trocar a TR por uma parte da Taxa Selic como índice remunerador da poupança. Isso deixaria os ganhos da caderneta menos atrativos, mantida a tendência atual. Esta saída poderia valer para os contratos imobiliários, mas ainda precisa ser mais bem equacionada.

Um integrante da equipe econômica afirmou que estão sendo avaliadas também saídas para permitir aos mutuários com contratos já vigentes negociarem com os bancos a migração para a nova forma de correção que está sendo desenhada. Mas o governo sabe que a solução é difícil, por se tratar de acordos já em vigor.

REDUÇÃO DA SELIC – Se a taxa básica de juros, a Selic, continuar em queda, quem apostou na poupança poderá ter ganhos em relação a quem optou por fundos de investimentos. Caso o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduza a taxa acima de 0,7 ponto percentual na próxima reunião, nos dias 28 e 29 de abril, o rendimento da caderneta vai superar o dos fundos. Temendo uma fuga de grandes investidores, que migrariam para a poupança a fim de ganhar mais, o governo quer alterar a fórmula de cálculo e reduzir os ganhos dos poupadores.

Segundo Marco Aurélio Cabral, professor do Ibmec, uma redução acima de 0,7 p.p. faria os fundos renderem 0,54% ao mês, já com descontos de IR e da taxa de administração média de 3% que os bancos cobram nesses casos. Em relação à poupança, estimando que a Taxa Referencial (TR) – que corrige as cadernetas – fique em 0,05%, o ganho seria de 0,55% em abril, ou seja, praticamente o mesmo.

COMPARAÇÕES – Em 12 meses, até fevereiro de 2009, a poupança acumulou ganhos de 7,994%. Os fundos, descontando IR e taxa de administração, tiveram rendimentos líquidos de 9,113%. Um poupador que depositou mil reais, em março de 2008, hoje teria R$ 1.079,94. Em fundos de renda fixa, R$ 1.091,13.

O economista Andrew Storfer, diretor da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), explica que o governo deve diminuir a rentabilidade da TR, como fez em março de 2007:

– Sem isso, haverá sérios problemas na arrecadação.

O presidente Lula já afirmou que o governo vai garantir a poupança do pequeno investidor. Para Alexandre Assaf, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis (Fipecafi), isso pode significar a criação de salvaguardas que vão garantir os ganhos dos que têm pouco dinheiro na caderneta:

– Talvez sejam criadas linhas diferentes de taxação, que será maior para quem investe muito dinheiro na poupança.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.