30/10/2006

Trabalho acompanha tecnologia

Fonte: O Estado de S. Paulo

Para operar novos equipamentos, porteiros têm de saber informática

A evolução tecnológica influencia diretamente nos serviços ligados aos condomínios. Em São Paulo, prédios estão se equipando com sistemas avançados de segurança envolvendo câmeras, radiocomunicadores, controles remotos, botões de alerta e outros itens. “Porteiro que só aperta botão e atende interfone é profissional em extinção”, afirma o vice-presidente de Administração de Condomínios do Sindicato da Habitação (Secovi), Hubert Gebara.

“Hoje, a mão-de-obra tem de acompanhar a mudança tecnológica. Eles têm de estudar computação, estar atentos ao vídeo, saber interpretar imagens. Houve um upgrade nas exigências em relação aos funcionários”, observa Gebara.

Para zeladores e gerentes de condomínio, a evolução tecnológica trouxe mudanças significativas tanto na área da construção civil como administrativa. “Nos últimos dez anos, mudanças na legislação, administração, surgimento de novos equipamentos de segurança exigem maior profissionalismo”, afirma o professor Carlos Eduardo Cabanas, diretor da unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) Orlando Laviero Ferraiuolo, no Tatuapé.

Na escola especializada em construção civil há turmas voltadas exclusivamente para trabalho em condomínios. Os alunos aprendem noções de hidráulica, elétrica, pintura e alvenaria. Outro curso recente é o de manutenção de piscinas e aquecedor solar – equipamento que vem ganhando espaço no mercado.

Escolaridade

Mas o treinamento ideal muitas vezes esbarra na baixa escolaridade dos profissionais do setor. “É o grande problema. Sinto que a grande resistência do setor à aprendizagem é a escolaridade. O ideal seria que os alunos de Elétrica tivessem ao menos o Ensino Médio”, afirma o professor.

O que compensa a falta de estudos, em alguns casos, é a experiência. “É um público que já vem com algum conhecimento do que fazer. Eles trazem ao longo do curso problemas e exemplos reais que ajudamos a resolver.” Os cursos oferecidos no Senai do Tatuapé normalmente são de longa duração, com cerca de cem horas de aula.

A baixa escolaridade não só prejudica o aprendizado técnico, mas também o de matérias que envolvem gerenciamento de pessoal. “Percebo que a maioria tem apenas o primeiro grau (Ensino Fundamental) incompleto. Isso compromete a compreensão”, afirma Cleuza Afonsso, diretora de Recursos Humanos do Grupo Riema.

A alternativa é ensinar o conteúdo de forma mais interativa. “Muita dinâmica de grupo, filmes, exemplos, citamos jornais. Peço a eles para falarem de situações cotidianas porque somente aula expositiva não funciona”, diz Cleuza.

A técnica tem trazido bons resultados. “Passado algum tempo, os funcionários já relatam mudança de atitude, decisões que tomaram de acordo com nossas orientações.” A recomendação também é que, mesmo depois do treinamento, os profissionais continuem estudando. “Oferecemos material escrito, e aconselhamos a que conheçam o regulamento do condomínio e aprendam informática.”
 

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