30/03/2009

Trabalho chique

Fonte: O Estado de S. Paulo

Com glamour, home office proposto para o Casae por Beto Galvez e Nórea De Vitto explora a memória vintage

Zap o especialista em imóveisBiombo (R$ 2.800, cada folha) feito pela Wood””s fica atrás da poltrona de design da Passado Composto Século XX

Há encontros que mudam a vida da gente. Mesmo que seja a profissional. Foi assim com o decorador Beto Galvez e a arquiteta Nórea De Vitto. Em 1989, ela era produtora fotográfica da revista Casa Claudia e ele trabalhava na Armando Cerello. Um dia, Nórea passou na loja para pesquisar, conheceu Beto e…plim! Seis meses depois estreavam na Casa Cor. Nunca mais se largaram.  

A dupla montou, com exclusividade para o Casa&, um home office com pequeno estar no próprio escritório, no bairro de Pinheiros. De high tech, mesmo, percebe-se ali apenas o notebook pousado sobre a mesa de trabalho. Por toda parte há um perfume vintage. Mas tal espaço é capaz, afinal, de sintetizar o estilo deles? Sim e não. “É que nós transitamos por várias vertentes”, diz Beto.

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As cadeiras de jacarandá anos 50 (R$ 1.500 cada uma), da Móveis Cimo, são da Teo. Destaque para a mesa e o sofá branco (R$ 8.800, sem o tecido) do Estúdio Jacarandá. As poltronas anos 50 e a pele de zera são de acervo pessoal

Recentemente decorado pelos dois, o apartamento de Zeco Beraldin, do Empório Beraldin, por exemplo, é contemporâneo, mas guarda um sotaque francês, segundo o proprietário. “Eles são muito afinados – e refinados”, comenta o empresário, para quem a busca por bons acabamentos e materiais é marcante nos profissionais. “Mantemos o foco na qualidade e na pesquisa”, considera Nórea, lembrando
outro trabalho atual: um projeto de viés étnico em pleno Marrocos.

O art déco, os anos 40, uma pitada da década de 70 mais os estilos francês e italiano norteiam a linguagem dos profissionais, que costumam dividir tarefas. Até pela formação, é comum Nórea se ater mais à arquitetura, e Beto, à decoração. Seja como for, em um ou outro caso costuma-se passar longe da “assepsia” minimalista. Eles, que admiram e respeitam o saber fazer dos brasileiros Jorge Elias, Esther Giobbi e Sig Bergamin, sentem-se influenciados por nomes internacionais como os franceses Pierre Yovanovitch e Andre Arbus.

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O pingente marroquino (R$ 900), na porta de entrada, é da linha Butik, à venda na Collectania. Assim como o guéridon (R$ 2.800) ao lado do sofá. De Di Cavalcanti, a obra maior, na parede, vem da Passado Composto Século XX

A base do home office exibe preto e marrom, combinação de cores bastante cara a ambos. No estar, destaca-se diante da parede colorida o sofá capitonado retrô com revestimento branco, servido pela mesa de centro da década de 70, tipo casco de tartaruga, de acrílico manchado – técnica desenvolvida pelo saudoso decorador Germano Mariutti.

Esse conjunto torna-se ponto de partida para a distribuição das peças restantes, um mix com armários dinamarqueses de jacarandá, carrinho de chá dos anos 50 de caviúna ou uma luminária de chão anos 60. Na parede de fundo, gravuras assinadas por autores como o português Fernando Lemos, o húngaro Louis Kassak e o brasileiro Hércules Barsotti revelam certa simetria ao expor as obras.  

QUESTÃO DE LIFESTYLE – Para os dois, fica difícil falar sobre o próprio trabalho. É como se o resultado se expressasse por si só. Mas, entre tantas informações, vem a pergunta: como misturar e não errar? “Mais que dinheiro, é preciso ter lifestyle”, tenta explicar Beto, para quem tudo na vida é um kit: a música que se ouve, os livros que se leem, os amigos que se tem… A soma dessas informações se refletiria, por extensão, na casa. “Não adianta querer seguir moda”, diz Nórea. “Os espaços têm de ser mais personalizados.”

Nessa decoração dá para apreender como se gerou harmonia: ao emprego de madeiras entre pardas e escuras juntaram-se, por exemplo, acessórios verdes, responsáveis por toques amarrados de cor, como vasos e vidros de Murano. Além disso, há complementos charmosos, da linha Butik, desenhados pela dupla. É o caso do pequeno abajur niquelado em forma de gota ou do guéridon com revestimento de escama de peixe. Na outra face, leva a assinatura deles também o biombo laqueado de preto, que serve de fundo à mesa clara de linhas retas. Os assentos de época dão toda a diferença.

Diferenciar-se, aliás, é sempre desafiador. Para além do óbvio, Beto Galvez e Nórea De Vitto parecem ter conseguido traçar uma trajetória genuína e coerente ao longo de 20 anos. Agora a dupla pretende, quem sabe, abrir uma pequena loja. Mas certa mesmo está a produção de um livro-resumo da carreira. “A gente espera que a edição não seja apenas um catálogo, mas, sim, que traga informações para o leitor”, diz ele.

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