30/10/2006

Trabalho em prédios exige confiança

Fonte: O Estado de S. Paulo

Insegurança faz aumentar cuidados na contratação. Funcionário deve ter ficha limpa e boa conduta fora do trabalho

Clayton de  Souza/AEPromoção – Wanilson conquistou os moradores e se tornou zelador

Indicado pelo amigo e ex-zelador do condomínio em que trabalha, Wanilson Lorentz Silva fez um curso e após entrevista foi contratado como porteiro.
Tinha então 18 anos e foi seu primeiro emprego com registro em carteira.
“Mostrei bom desempenho, adquiri a confiança dos moradores e da síndica e fui promovido”, conta.

Isso levou apenas um ano e meio, e desde então como zelador, comanda outros 19 funcionários, a maioria mais velhos que ele. “Como fiz minha carreira aqui, não vim de fora, tenho o respeito deles. Às vezes preciso dar um puxão de orelha…” Entre suas obrigações está manter o prédio em ordem. Vê a manutenção geral, checa a faxina, a garagem, é responsável pela segurança e pela correspondência. Tem boa relação com a síndica, que junto à administradora o obrigaram a fazer vários cursos, como os de zelador plus, segurança do patrimônio e brigada de incêndio. “Fiz agora um curso de computação, que será usado em breve para melhorar a segurança do prédio”, diz.

Sua maior preocupação é com a segurança. “Essa onda de assaltos é preocupante. É difícil evitar, mas tem que pelo menos dificultar ao máximo.” Casado e com dois filhos, uma menina de 4 anos e o caçula de 2, diz adorar o trabalho. “Tenho um bom salário (R$ 1,8 mil), moro no prédio, não pago água, luz, gás, nada.” Só não gosta de uma coisa: acordar de madrugada para resolver algum problema do prédio.

A preocupação do zelador com a segurança é também o foco de atenção de especialistas do setor, que recomendam que os condomínios tenham cuidados não só ao admitir novos funcionários, mas também com os já contratados. É uma dica que vale muito quando se leva em consideração a quantidade de assaltos a prédios que assola São Paulo. “É importante pedir referência de emprego anterior, ter uma ficha de informação criminal de todos e atualizá-la anualmente, pois não se sabe o que o funcionário faz fora do prédio”, explica o vice-presidente de Administração e Condomínio do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Hubert Gebara.

O presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), Cláudio Anauate, aconselha também uma pesquisa nos empregos anteriores. “Noventa por cento dos problemas são resolvidos no âmbito do próprio prédio.

É uma forma de saber se a pessoa tem alguma mácula.” Um bom funcionário de condomínio deve, além de exercer suas atribuições, conseguir se relacionar bem com pessoas. Anauate diz que é comum a criação de um vínculo afetivo entre os funcionários e os moradores, o que pode garantir um salário acima do piso e estabilidade maior que de outros empregos, além de evitar dores de cabeça ao síndico e administradora na procura e treinamento de novos empregados.

Para fortalecer esse vínculo e motivar os funcionários, o presidente da Aabic recomenda um plano de carreira no condomínio, com cursos anuais de formação e reciclagem. “Em suma são três funções – faxineiro, porteiro e zelador. As chances de ascensão são poucas, o síndico tem que prever isso e fazer com que essa carreira se desenvolva no prédio. E os melhores zeladores sempre foram bons porteiros”, diz Anauate.

Prova de que são cargos valorizados está na diferença do piso da categoria e o valor praticado no mercado. “O preço de mercado é mais elevado, pois se pagar o piso, não arruma gente boa”, explica Gebara. O piso do zelador, por exemplo, é de R$ 534,88, enquanto o valor médio de mercado do salário desse funcionário fica entre R$ 850 e R$ 1.400 (Aabic). É desejável que o zelador seja habilitado e faça pequenos serviços aos moradores, desde que fora de seu horário de serviço.

Conduta
Apesar de toda a afetividade e confiança normalmente depositada nos funcionários, Anauate recomenda alguns cuidados por parte dos condôminos. As reclamações devem ser feitas ao síndico ou ao zelador – o responsável pelos demais funcionários e pelo bom funcionamento do condomínio.

Não resolvidas ou se os problemas envolverem questões trabalhistas, como insubordinação, dormir no serviço e acúmulo de funções, a administradora passa a ser a responsável. “É bom ter em mente que os problemas dos funcionários passam a ser do condomínio”, diz Anauate.

Na portaria, as substituições em folgas e horários de almoço devem ser feitas por pessoa preparada, preferencialmente o zelador, “para não haver problemas de entrega de produtos ou de documentos e com a segurança”, complementa.

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