30/10/2006

Tratamento igual para inquilino e proprietário

Fonte: O Estado de S. Paulo

Instrução é de que regulamento do prédio vale tanto para um grupo quanto para outro, sem privilégios

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Administradoras de condomínio e síndicos estão investindo em treinamento de pessoal. Perceberam que, para oferecer maior conforto e segurança aos moradores, é importante tornar o serviço mais profissional. “É essencial alimentar o funcionário com informação e instruções”, afirma Marcos Pico, síndico do condomínio Palácio Mobile, na Mooca.

Conforme o cargo, a preparação pode envolver técnicas de segurança preventiva, pequenos reparos, administração, gerenciamento de conflitos e tratamento pessoal – um dos temas mais procurados pelos condomínios. “Os condôminos querem que os visitantes e familiares sejam tratados da melhor forma possível”, diz o síndico.

No entanto, gentileza não pode ser confundida com abertura para descumprir regras. “Eles devem ter postura firme porque também aparecem visitantes que, por exemplo, insistem para conseguir informações de moradores que não estão em casa.” Isso vale para todos os funcionários.

No caso dos zeladores, o treinamento é mais específico. Eles aprendem procedimentos de liderança e manutenção predial, noções de hidráulica e elétrica. “Tenho um funcionário que começou como faxineiro, passou para folguista até chegar a zelador. Para cada cargo ele fez treinamento específico.” É o zelador Claudeilson Gomes Ribeiro. Hoje ele faz um curso de reparos hidráulicos e elétricos.

Pico ressalta que o investimento traz retorno. Não apenas a qualidade do serviço melhora como desonera o caixa do condomínio a longo prazo. Quando surgem pequenos problemas, o próprio zelador pode resolver. “Isso traz economia. Se você chamar uma empresa para fazer o serviço, tem de abrir processo de cotação. Até que o reparo seja feito, o tempo passou e o prejuízo pode aumentar”, observa.

No condomínio que Pico gerencia, todos os faxineiros fizeram cursos para aprender a limpar a piscina, o que economiza contratação de serviço especializado e previne problemas com o equipamento.

Igualdade

No Edifício Daniela, no Jardim Paulista, os funcionários passam por treinamento todos os anos. Uma das principais lições que o zelador Luís Carlos da Silva Evangelista aprendeu é tratar todos os moradores e visitantes de forma igual.

Ele lembra que, antes, bastava a pessoa chegar em um carro bonito ou bem vestido que os porteiros abriam a porta muitas vezes sem fazer a identificação. “Mas quando aparecia alguém com uma postura mais humilde, era diferente”, afirma Evangelista que trabalha no prédio há 16 anos. Ele admite que havia preconceito, “mas esse tipo de coisa acabou.”

Segundo ele, outra orientação é para que proprietários e inquilinos sejam tratados igualmente. “O que vale para um vale para o outro”, ressalta. “Eu digo: sinto muito, mas o regulamento não discrimina desse jeito.”

A profissionalização também dá segurança para que eles tomem decisões.“Antes a gente ficava com medo achando que para ‘doutor fulano’ não podia falar.” Quando surgem conflitos, vale o bom senso. “A gente tenta resolver na conversa, mas também orienta por carta porque às vezes a pessoa não sabe que está descumprindo o regulamento.”

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