30/10/2008

Três vezes natural

Fonte: O Estado de S. Paulo

Cristiana Nassralla, Stella Crissiuma e Vera Negrão criam terraço com peças de madeira

Zeca Wittner/AEZap o especialista em imóveisCountry suave marca a ambientação, com mesa e cadeiras brancas e armário de madeira patinada

São Paulo – Era uma vez três moças. Amigas desde sempre, viraram decoradoras no início dos anos 80, meio por acaso, na região de Campinas, onde mantêm até hoje seu escritório. Foi mais ou menos assim: Cristiana Nassralla foi convidada para ambientar o apartamento de uma conhecida, que sabia de seu bom gosto. Entusiasmada com a proposta, ela perguntou a Vera Negrão se topava fazer uma parceria. Com o sim, veio a idéia, então, de chamar também Stella Crissiuma para o trabalho inaugural. Essa aventura da juventude, 28 anos depois, parece substituída pela experiência e pela maturidade. As profissionais, autodidatas, dizem ter apreendido na prática conceitos hoje relevantes em um estilo dito peculiar.

Com exclusividade para o Casa&, o trio deu uma amostra de seu trabalho ao compor ambientes que pretendem homenagear a primavera com uma recepção informal no meio da tarde. No amplo terraço da casa de Vera, num condomínio bacana de Campinas, móveis claros e de caráter despojado surgem ao lado dos comes e bebes de encher a boca d””água. Dá para entender. Elas gostam de receber bem. É na pausa para o almoço oferecido pela anfitriã que – depois de determinar na hora a posição das peças previamente escolhidas, com um arrasta armário daqui, puxa mesa dali, põe taça acolá – as três têm tempo de falar à reportagem.

“Um dos nossos nortes é a boa proporção”, explica Cristiana, que considera esse fundamento essencial para criar ambientes de maneira certeira. “E olha que, desde o começo, erramos muito pouco nesse quesito”, completa Vera. Que outra característica marca os espa-ços concebidos por elas? “Gostamos, por exemplo, de cores primárias sobre branco”, diz Stella. Ela lembra que se trata de uma influência direta de Campinas, onde há muita luz natural. “Aqui não vão bem tons pesados, como o berinjela, bastante usados em São Paulo.”

O vermelho foi eleito para pontuar o projeto, exibido em duas seções: a da mesa posta para os convidados ao lado de um armário e a do lounge junto de um aparador. São exemplos daquela cor complementos como almofadas sobre a poltrona de linhas retas e fibra natural ou o simpático elefante de madeira curva, criação dos americanos Ray e Charles Eames. Já na mesa, a cor rubra surge em porcelanas.

As três enfrentam uma dialética costumeira para chegar a bom resultado. Colocar ou não a bandeja do café sobre a mesa ou o aparador pode gerar uma discussão equilibrada. Uma diz que sim, outra que não, vem o desempate, e logo parte-se para outra questão. Unanimidade são os profissionais que admiram. É o caso do arquiteto francês Christian Liaigre, de Sig Bergamin, da designer Etel Carmona, além de Attilio Baschera e Gregorio Kramer, da Again.

Donas de personalidades distintas – a pisciana Vera é bem-humorada; a leonina Stella, falante; a escorpiana Cristiana, discreta -, cada qual, durante essas quase três décadas, enfrentou vicissitudes e alegrias divididas com as outras. Brigaram várias vezes, tanto quanto fizeram as pazes. O fato é que uma espécie de simbiose as une. Juntas nesse casamento profissional, até parece que vão viver felizes para sempre.

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