30/10/2006

Trocar o aluguel pelo financiamento é possível

Fonte: O Estado de S. Paulo
Zap o especialista em imóveis

Não posso comprar um imóvel porque pago aluguel ou pago aluguel porque não posso comprá-lo? Esse é um dilema que persegue o consumidor brasileiro. É uma equação difícil, mas há solução com resultado positivo.

Há alguns anos, aluguel versus compra era uma situação complicada, pois as construtoras, de modo geral, financiavam a aquisição do imóvel com tabelas diretas, restritas a 36 meses com prazo máximo de 60 meses. Além disso, a maioria dos financiamentos era feita por meio do Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

Nos últimos anos, com a necessidade de construir mais e de facilitar a vida dos clientes para aquecer as vendas, as construtoras começaram a financiar diretamente sem comprovação de renda em 120 meses e, em alguns casos, em até 180 meses. Aí surgiram diferentes planos de pagamento. Isto favoreceu proprietários e candidatos a aquisição de um imóvel.

O sistema é tão flexível que só não obtém um empreendimento novo quem escolhe pagar aluguel e não ter de se privar de regalias e enxugar o orçamento. Abrir mão de um carro zero, por exemplo, pode ser o primeiro passo. O valor do carro pode ser o valor da entrada de um novo imóvel.

A resposta da dúvida sobre o aluguel e a casa própria está na matemática. O paulistano que mora de aluguel paga, por exemplo, R$ 700 por mês. Em 12 anos, essa pessoa gastaria R$ 100,8 mil (preço médio de um apartamento de dois quartos na zona sul), sem contar investimentos em reparos pagos pelo inquilino. É possível manter o mesmo orçamento gastando R$ 700 em prestações mensais, só que num empreendimento próprio. Basta entrar num acordo com a imobiliária e verificar as opções de pagamento de entrada e fazer um plano de 12 anos ou mais.

O importante é entender como funciona o sistema de juros e não temer em comprar por causa desse fator. Basta comparar um financiamento realizado por uma construtora que cobre 12% de juros ao ano (no cálculo das prestações), enquanto que o cheque especial retém cerca de 8,25% de juros ao mês.

O cliente pode se informar com o seu corretor e questionar sobre as soluções como as alternativas de pagamento da entrada, as prestações, as intermediárias, a entrega das chaves. Em qualquer situação é possível propor acomodações, pelo fato de as construtoras oferecerem flexibilidade de propostas. O importante é não temer em assinar um contrato de compra preocupado com a mensalidade. O perigo está num contrato de aluguel, que além de envolver outras pessoas como avalista, gasta-se dinheiro num imóvel que não se tem propriedade. Seja por financiamento direto com a construtora ou pelo SFH, é preciso mudar o conceito de moradia. Alugar é gastar e comprar é investir. O importante é pesquisar as alternativas para sair das garras do pesadelo chamado aluguel e não deixar de comprar a casa dos sonhos!

* Feliciano Giachetta é diretor da FGI Negócios Imobiliários

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