05/03/2009

Tudo pela vista

Fonte: O Estado de S. Paulo

Casal se rende à paisagem e faz casa dos sonhos na Turquia

Em 2002, quando Murat e Sedef Ozturk conheceram aquele pedaço de terra 450 metros acima do nível do Mar Egeu, no vilarejo de Assos, na  Turquia – onde Aristóteles viveu por um tempo no século 4 a.C. – , foram subjugados pela paisagem. Ao lado de uma parede de pedra num dos limites da propriedade, o casal podia admirar a extensão infinita de água, o perfil sombreado da ilha de Lesbos e uma colina pedregosa, pontuada por pinheiros, oliveiras e ciprestes.

Abaixo, pastores com casacos de lã e calças largas andavam por sendas com rebanhos de carneiros e ovelhas. O ar cheirava à madeira de oliveira queimada e o silêncio só era quebrado pelo muezim chamando para as orações. Apesar de ser um dia nublado, – os raios de sol atravessavam as nuvens -, lembra Sedef Ozturk, de 44 anos. “Todas as minhas tensões se foram.” Horas depois, ela e Murat compraram o terreno. “Olhamos um para o outro e dissemos, esse é o lugar para construirmos?”, conta Murat, de 46 anos, dono de uma empresa têxtil em Istambul.

Cemal Emden, de The New York TimesO living envidraçado valoriza a paisagem. Ao lado,o balcão da cozinha, usado com a mesa de jantar, é revestido com folha de iroko, madeira africana. Abaixo,janelas abertas para o Mar Egeu. E um dos banheiros da casados Ozturks

Hospedados na casa do amigo Selman Bilal, na vizinhança, eles ficaram impressionados como imóvel, estrutura contemporânea de aço e vidro com grandes janelas. Contrataram Han Tümertekin, arquiteto de Istambul que projetou a casa – conhecida como B2 e pela qual o profissional recebeu o Prêmio Aga  Khan de Arquitetura de 2004. O casal pediu uma casa no mesmo modelo, que tirasse o máximo proveito da vista e fosse fácil de manter.

A forma retangular é baseada no design típico das fábricas de azeite da região. Diferentemente de Selman Bilal, que é divorciado e usa a casa como um retiro, os Ozturks queriam a casa para si, os dois filhos e uma porção de amigos. O centro literal e emocional da construção é a cozinha-living. Há uma lareira com painéis deslizantes de vidro nos dois lados, ao redor da qual a família e os convidados podem se acomodar em cestos baixos de lã. Exceto pelo banheiro de hóspedes, todos os cômodos são voltados para o mar. No verão, diz Sedef, “dormimos com as portas abertas”.

Aberto é a palavra mágica da construção. Tümertekin projetou a  estrutura de aço, com janelas do chão ao teto em ambas as extremidades, 39 ao todo – cada par de janelas se abre à semelhança de portas francesas. Em Assos, as casas são feitas de pedra ou madeira e têm janelas pequenas. Para a casa dos Osturks, o arquiteto usou a pedra com mão leve. E, em lugar algum, isso é mais aparente que no telhado do pátio.”Vilas turcas, em geral, têm suas próprias pedreiras”, explica Murat.

Um construtor local foi contratado para erguer a casa e artesãos trabalharam com a pedra. O custo da casa ficou em US$ 300mil e o do terreno, em US$ 60 mil.

Inspiração no mar Sedef – misturou móveis modernos com objetos da região, design europeu com itens da Ikea e antiguidades caso da escrivaninha-xerife do século 19 ?, para criar interiores acolhedores, que fazem um blend do rural com o urbano.

À esquerda do fogão, fica uma vitrine de nogueira. Sobre o balcão da cozinha, que tem função de mesa de jantar,um cesto de madeira de oliveira. O balcão é feito de concreto, mas tem uma folha de iroko, madeira africana, que cobre toda a sua extensão. A madeira patinada, às vezes usada para vigas, tem entalhes naturais que dão um aspecto rugoso, texturizado.

Desde o primeiro dia que passou na casa, Murat mantém o hábito de observar o mar antes de decidir o que fazer. “Planejamos o dia de acordo com o vento, ou a nossa vontade”, revela.

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