07/08/2009

Copacabana vai ganhar um novo ícone

Fonte: O Globo

A ideia é construir, na Avenida Atlântica, um ícone arquitetônico do século XXI para o Rio, com projeção mundial

Copacabana ganhará um presente, de frente para o mar, que a tornará ainda mais famosa. Sete dos mais importantes escritórios de arquitetura do país e do mundo – quatro brasileiros e três estrangeiros – foram convidados a participar de um concurso para escolher o projeto da nova sede do Museu da Imagem e do Som (MIS). A ideia é construir, na Avenida Atlântica, um ícone arquitetônico do século XXI para o Rio, com projeção mundial.

Ontem e na quarta-feira, os participantes apresentaram sua ideias para uma comissão julgadora. Em comum, imagens impactantes: cubos quase soltos no ar, blocos inclinados, formas curvas e geométricas. A ideia vencedora será anunciada na segunda-feira.

No país, foram convidados o escritório carioca Bernardes & Jacobsen e os paulistas Brasil Arquitetura, Isay Weinfeld e Tacoa Arquitetos. Entre os estrangeiros, foram chamados o polonês naturalizado americano Daniel Libeskind, autor da Freedom Tower, o edifício projetado para o lugar do World Trade Center, em Nova York; o japonês Shigeru Ban, que recentemente inaugurou uma ponte sobre o Rio Gardon, na França; e o escritório americano Diller Scofidio + Renfro, responsável pela reforma de um dos prédios do Lincoln Center e pelo jardim suspenso do Meatpacking District, em Nova York.

INVESTIMENTOS SÃO DE R$ 44 MILHÕES – O projeto do novo MIS, uma parceria entre a Secretaria estadual de Cultura e a Fundação Roberto Marinho, prevê a construção num terreno de aproximadamente 1.600 metros quadrados, onde hoje fica a boate Help, que já foi desapropriada pelo governo estadual. No total, serão 4.500 metros quadrados de área construída, com salas de exposições, auditórios, espaços para pesquisas, além de 1.500 metros quadrados destinados a estacionamento, carga e descarga. Já foram gastos R$ 13 milhões na desapropriação do terreno na Avenida Atlântica, onde o museu será construído. Além dessa quantia, serão investidos R$ 44 milhões até a construção.

“Queremos que seja um ícone para o Rio e situado no nosso maior ícone, que é a Praia de Copacabana.”

“O processo de escolha tem também a função de discutir o papel da arquitetura na vida da cidade e na formação dos cariocas”, disse a secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes.

O secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto, explica que os arquitetos escolhidos para participar da seleção têm em comum, no mínimo, um projeto na área de cultura. E acrescenta que um dos focos do novo MIS será o turismo cultural.

“Hoje, os museus são as catedrais do século XXI. Há a preocupação de oferecer ao Rio um valor arquitetônico em si, que, além de servir ao MIS, atraia e encante pela própria linguagem arquitetônica.”

“Sem abrir mão de seu DNA de produzir e processar memória e fatos históricos, o novo museu oferecerá ao grande público acesso a esse enorme acervo em forma de exposições permanentes, mostras temporárias, shows”, diz Hugo.

A comissão julgadora do concurso é formada por 11 jurados. A secretária Adriana Rattes; o engenheiro civil Sérgio Dias, secretário municipal de urbanismo do Rio de Janeiro; Paulo Herkenhoff, ex-diretor do Museu de Belas Artes e crítico de arte; e a historiadora Rosa Maria Araujo, presidente do MIS, estão entre os jurados. As apresentações, que duraram 50 minutos cada, foram acompanhadas por uma plateia formada por 35 convidados, entre estudantes de arquitetura, museólogos e urbanistas.

Para o carioca Thiago Bernardes, do escritório Bernardes & Jacobsen, o maior desafio foi conceber um projeto (imagem número 6) que se integre à paisagem, com uma arquitetura ao mesmo tempo simples e arrojada. Foram criados quatro blocos, que oferecem diferentes ângulos da Praia de Copacabana, de acordo com a funcionalidade de cada ambiente.

“Não queríamos banalizar a vista.”

Os volumes parecem pesados, mas a inclinação confere leveza ao projeto – afirma Thiago.

Isay Weinfeld também não quis que o mar de Copacabana se tornasse onipresente. Em seu projeto (3), os espaços expositivos são fechados para que a atenção não seja dividida com a paisagem. No meio dos oito andares, ele projetou uma grande praça coberta.

“A localização é uma covardia.”

A ideia é que as pessoas saiam das salas e aí, sim, vejam o mar – diz Isay, que este ano ganhou o prêmio MIPIM AR Future Projects Awards, em Cannes, na França, pelo Edifício 360°, que está sendo construído em São Paulo.

PROJETOS INTEGRADOS À PAISAGEM – Rodrigo Lopez, sócio da Tacoa Arquitetos, explica que o projeto (5) do escritório também teve a preocupação de não banalizar a vista da Princesinha do Mar. Seria um paralelepípedo de concreto inclinado e apoiado em apenas 15% do terreno.

No topo, ficaria um grande auditório ao ar livre.

“Uma das propostas do projeto é transformar a parede do edifício vizinho num grande jardim vertical, onde haveria uma tela para projeções voltada para essa plateia ao ar livre. Tanto quem passa na avenida quanto o morador do Cantagalo poderiam ver as imagens projetadas. A ideia integraria tanto quem está dentro quanto quem está fora”, conta Rodrigo, autor do projeto arquitetônico da galeria Adriana Varejão, em Inhotim, Brumadinho, Minas.

Já Shigeru Ban (4) usou como inspiração as curvas do corpo feminino, que, segundo ele, é a única beleza capaz de concorrer com a beleza natural do Rio. Seu projeto lança mão de madeira local (eucalipto reflorestado), alumínio e um vidro translúcido especial, que capta luz e a transforma em energia.

“Resolvi fazer um projeto “transparente”, que convida as pessoas a entrar. É possível ver o mar de todos os andares. As únicas partes fechadas são as salas de exposição, que têm iluminação e temperatura especiais para conservar o acervo”, explica.

O escritório nova-iorquino Diller Scofidio + Renfro (2) inspirou-se nas curvas do projeto de Burle Marx para a Praia de Copacabana. A dupla desenhou um prédio com bastante movimento, com vidro e pedras vazadas, que possibilitam uma visão reemoldurada da paisagem.

“A maior atração é a praia, então procuramos desenhar um prédio que dialogasse com a paisagem. Com pequenos recortes, é possível enxergar primeiro a areia, depois o mar e, por último, o céu de maneira diferente da convencional”, Scofidio.

A intenção da arquitetura de Daniel Libeskind (a imagem do projeto dele está na primeira página do jornal) é convidar o público a entrar pelas arestas. Na parte de cima, ficam áreas voltadas para ao lazer, como café e restaurante. Ele disse que as janelas podem se transformar em vitrines, em espaços para projeções, com iluminação noturna especial e outras várias possibilidades. O objetivo foi democratizar a vista. O escritório Brasil Arquitetura não quis comentar seu projeto (1).

2 Comentários

  1. Gostei muito dos projetos em que a praia de Copacabana será privilegiada, não acho que ela roubará a cena, afinal o museu será da imagem e do som, imagem e som do mar, junto com tudo de espetacular que haverá dentro do museu.

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