01/07/2007

Um novo olhar sobre o alto padrão

Fonte: O Estado de S. Paulo
Jonne Roriz/AEZap o especialista em imóveisCondições – Localização é um dos critérios mais importantes na identificação do imóvel de luxo

Antigamente, era fácil identificar um imóvel de alto padrão. Um apartamento por andar, piscina, salão de festas, playground, guarita e pronto. Ali estava uma unidade de classe para as classes sociais que podiam comprar sem precisar ir ao banco em busca de financiamento.

Como tudo evolui no tempo e no espaço, esse conceito passou e continua a passar por transformações. E é por isso que cabe deitar um novo olhar sobre o que é, de fato, um imóvel de alto padrão. Nessa reflexão, veremos que ele não é mais aquele que hoje domina os classificados imobiliários. Aliás, cabe lembrar, boa parte dos empreendimentos hoje anunciados foi projetada num momento totalmente diferente do atual. Como se sabe, um prédio de apartamentos leva cerca de três anos entre sua concepção e entrega.

Assim, muito do que se vê agora sendo lançado nasceu quando os financiamentos imobiliários eram absolutamente escassos e quando, para fugir das restrições de uma lei de zoneamento elitista (sim, pois ao cercear o aproveitamento do potencial dos terrenos a lei em vigor só fez encarecer o preço final dos imóveis), muitas empresas aprovaram o que era possível vender à época (ou seja, sem crédito imobiliário).

Mas será que esses lançamentos podem ser considerados de ‘alto padrão’? Grosso modo, a maioria deles é o chamado ‘condomínio-clube’, com dois ou quatro apartamentos por andar e área média entre 100 e 200 metros quadrados. Um quatro-quartos compacto, unidade típica da atual classe média, que consegue comprar uma residência de até R$ 350 mil, financiada em 20 anos e, em muitos casos, com prestações fixas. Além disso, pagando juros cada vez menores, oferecidos por bancos que disputam o cliente imobiliário e fazem de tudo para que a prestação possa caber no bolso dos candidatos a mutuário.

Vivemos, felizmente, outra realidade. Mais e mais famílias de classe média estão podendo comprar bons imóveis, dotados de infra-estrutura antes só disponível nos empreendimentos voltados ao segmento de alta renda. E, vale adicionar, as empresas do setor estão empenhadas em produzir unidades para o segmento de menor renda (os chamados imóveis econômicos) com itens de lazer para que seus moradores possam ter melhor qualidade de vida. Um engenharia de soluções, pois, nessa conta, não é considerado unicamente o preço da unidade, mas também valor do condomínio.

Tal processo ainda está em fase inicial. Afinal, essa abundância de financiamentos é muito recente. Mas já se percebe nos classificados imobiliários que os imóveis de ‘alto padrão’ começam a dividir espaço com lançamentos focados nas famílias de menor renda. E a própria Pesquisa Secovi, que acompanha o comportamento das vendas, mostra a prevalência dos apartamentos de três e dois dormitórios.

Diante disso, surge a indagação: o que é hoje um imóvel de alto padrão? Ele ainda existe? Existe e tem demanda – embora concentrada no topo da pirâmide social. Como identificá-lo? Há uma série de ingredientes que qualificam o alto padrão. Primeiramente, a localização. Depois, a metragem, número de vagas de garagem, paisagismo e decoração das áreas comuns com assinaturas de grife, todos os tipos de recursos de lazer (quadra de tênis coberta, spa, piscina aquecida com raia, solarium, etc.) e, principalmente, os mais avançados recursos tecnológicos relativos à segurança e ao conforto, como identificação digital ou por íris, aquecimento nos pisos, aspiração de pó central, wireless e outras facilidades que o dinheiro pode comprar.

* Romeu Chap Chapé presidente do Secovi-SP e da Romeu Chap Chap Desenvolvimento e Consultoria Imobiliária

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