30/10/2006

Um novo papo de corretor

Fonte: O Globo

Entidades de classe querem mais clareza no discurso de compra e venda de imóveis

Sabe aquele papo de corretor de que “tem que pagar no ato um sinal para garantir o imóvel”? Ou que “vai ser rapidinho, só falta concluir o inventário”? Pois esse tipo de abordagem está com os dias contados. Pelo menos no que depender do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) e do Conselho Regional do Estado do Rio (Creci-RJ). Concluído o recenseamento nacional de profissionais do setor, que apurou que há 112.540 corretores habilitados, dos cerca de 150 mil em atividade – as entidades pretendem acirrar a fiscalização contra o exercício ilegal da profissão. E fortalecer a qualificação dos corretores, em busca de maior clareza nas negociações.

– A partir do perfil de cada região, serão elaboradas estratégias específicas para ampliar a profissionalização do setor – informa Newton Marques Barbosa, presidente em exercício do Cofeci.

– O nosso foco será o combate aos contraventores, que se dizem corretores e não são. Até porque 80% das queixas que recebemos são de pessoas não habilitadas para o exercício da profissão – destaca Antônio Rocha, presidente do Creci-RJ.

Presença feminina cresce no mercado

O presidente da Associação Brasileira de Advogados do Mercado Imobiliário (Abami), Geraldo Beire Simões, ressalta que, pelo Código Civil, o corretor pode ser responsabilizado, civilmente, por informações equivocadas ou pela falta de dados que possam vir a lesar as partes envolvidas na negociação:

– Felizmente, hoje o profissional é mais bem formado.

Uma das surpresas do levantamento, recém-concluído, é o crescimento da participação feminina nesse setor: uma alta de 144%, de 1996 para cá. Hoje as mulheres correspondem a 20,24% dos profissionais do país. No Rio, quarto estado do Brasil em número de corretoras, elas são 24,66%.

Derrubando antigos conceitos 

O Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado do Rio (Creci/RJ) listou algumas abordagens que são reprováveis e ensina como o cliente deve reagir para não cair em armadilhas.

“Tem que dar logo o sinal para garantir o imóvel”: Antes de dar o sinal, deve-se analisar as condições do imóvel e, principalmente, a documentação, já que há casos em que ele não é devolvido. E o pagamento só deve ser feito ao vendedor ou ao corretor se ele tiver procuração do dono ou contrato de exclusividade de venda.

“Reserva, só com pagamento”: É possível reservar sem pagar. Mas há casos em que é exigido cheque, em valor simbólico, devolvido se houver desistência. Exija recibo, em que constem as condições.

“O imóvel está ocupado, mas o inquilino sairá em 15 dias”: O inquilino só desocupará o imóvel, se não for amigavelmente, via ação de despejo, o que pode demorar.

“Pode confiar, a documentação está em ordem”: Além de pedir todas as certidões, é recomendável consultar um advogado.

“Só falta concluir o inventário. É rápido”: Peça o número do processo e a vara em que tramita o inventário. Informe-se com o advogado: esse tipo de ação costuma demorar.

“Com essa documentação, vai ser fácil obter financiamento”: Todo financiamento requer análise do banco, não sendo possível afirmar se ele será aprovado com uma análise superficial da papelada.

“O fiador tem uma casa grande, de alto valor”: Deve-se verificar se o imóvel está registrado em nome do fiador, pois pode haver apenas uma promessa de compra e venda, sem validade para fins de fiança.

“A vaga de garagem é permanente”: A propriedade da vaga deve constar da escritura ou estar expressa na convenção.
 

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