09/12/2007

Uma aula de arquitetura a céu aberto

Fonte: O Globo

Centro do Rio abriga principais estilos da arte de construir

Tudo começou pelo edifício “A Noite”, na Praça Mauá, marco do art déco. Num passeio guiado pelo superintendente-regional do Iphan, Carlos Fernando de Andrade, o “Morar Bem” resolveu apresentar a você, leitor, o roteiro que a história da arquitetura traçou no Centro do Rio. Para isso, tivemos uma aula a céu aberto, numa região que abriga os principais estilos da arte de construir.

“A Noite”, primeiro arranha-céu da cidade, tem cor discreta, formas geométricas e combina racionalidade com funcionalidade, características do art déco. Mas o estilo rendeu poucos frutos ao Rio. Seguindo pela Rua Mayrink Veiga, encontramos exemplos do neoclassicismo. Um dos escolhidos por Andrade nos pareceu estapafúrdio: é o sobrado com fachada tombada pelo Patrimônio Histórico, que foi coberto por um prédio modernoso (mais tarde, passaríamos pela Casa França-Brasil, principal representante neoclássico na cidade).

No fim da Rio Branco, admiramos a sede do Banco Central. Foi a vez do ecletismo, que é o estilo predominante no Centro: uma arquitetura “fora do tempo”, que se apropria de características de estilos anteriores, com boa dose de exuberância e dramaticidade.

Daí, seguimos até a Praça XV, para o Paço Imperial, a mais notável construção colonial do Rio. Finalmente, chegamos ao prédio pioneiro do modernismo, o Gustavo Capanema. Um conselho, leitor? Siga esse roteiro.

Ana BrancoZap o especialista em imóveis

 

Art déco: construído no fim dos anos 20, o Edifício “A Noite”, na esquina de Avenida Rio Branco com Rua do Acre, é considerado o introdutor da arquitetura art déco no Brasil. Primeiro arranha-céu da cidade, graças à (nova) tecnologia do concreto armado, tem fachadas com rigor geométrico, ritmo linear e discreta ornamentação, que enfatiza o eixo central da edificação.

 

Ana BrancoZap o especialista em imóveis

 

Neoclássico: o sobrado da Rua Mayrink Veiga tem a fachada neoclássica tombada, o que, entretanto, não o livrou de ser abraçado por um arranha-céu. A arquitetura do neoclassicismo, identificada como a retomada da cultura clássica (de Grécia e Roma), é representada por portas e janelas em formato de arcos e a platibanda — uma mureta de alvenaria que contorna a cobertura da construção e que se destina a proteger ou camuflar o telhado.

 

Ana BrancoZap o especialista em imóveis

Colonial: costuma-se usar estilo colonial para definir todos os monumentos construídos desde a fundação da cidade (1565) até quando o Brasil passou à condição de Reino Unido (1808). O Paço Imperial é um dos mais notáveis exemplos da arquitetura civil colonial brasileira. Entre as características, o padrão simples, o telhado aparente com beirais, as vergas de janelas curvas e os cunhais (ângulo formado por duas paredes) de pedra de cantaria.

 

Ana BrancoZap o especialista em imóveis

 

Ecletismo: a arquitetura eclética se apropria de elementos de diferentes estilos, como o neogótico, o bizantino, o mourisco, o asteca e o marajoara. No prédio do Banco Central, por exemplo, há fortes referências greco-romanas — além da colunata, há o frontão (peça triangular que adorna a parte superior da frente prédio) com detalhes dourados e as fachadas curvas

Ana BrancoZap o especialista em imóveis

Modernismo: o Palácio Gustavo Capanema, mais conhecido como prédio do MEC, é um marco da arquitetura mundial. Entre as principais características do estilo, estão pilotis, terraço-jardim (que “recupera” o solo ocupado pelo prédio, transferindo-o para cima), brise-soleil (que inibe a incidência do sol). Além disso, o MEC foi erguido em centro de terreno, contrariando o modelo vigente na época

 

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