03/08/2007

São Paulo: Uma Barra Funda de “”cara nova””

Fonte: Jornal da Tarde

Bairro que ainda ostenta resquícios industriais deve ser repaginado com processo de revitalização

Thiago Queiroz/AESão Paulo: Uma Barra Funda de “”cara nova””

Esquecida do mapa que norteia o mercado imobiliário durante muitos anos, a Barra Funda aparece hoje como um dos bairros paulistanos com maior potencial de desenvolvimento no setor. Também pudera. Com matéria-prima de sobra – leia-se ‘terrenos ociosos’ – por conta do seu processo de desindustrialização, a região apresenta ainda uma infra-estrutura plenamente consolidada e uma localização privilegiada que já virou a principal ferramenta de marketing dos investidores.

Localizada na Zona Oeste, mas vizinha à Zona Norte e com fácil acesso ao Centro e à Zona Sul da Capital, a Barra Funda deverá ser totalmente repaginada nos próximos anos, acreditam os especialistas consultados pela reportagem.

“A Barra Funda está passando por um processo de revitalização que irá mudar a cara do bairro”, sentencia Flávia Consorte, gerente de marketing da construtora Setin, que entrega neste mês as chaves das primeiras unidades de um empreendimento (Mundo Apto) e lança outro no fim de agosto.

Segundo o diretor da imobiliária Lopes, Carlos Kapudjian, o bairro está passando por uma transformação que tende somente a beneficiar os atuais e os novos moradores. “É uma mudança de uso do solo rápida e positiva. A Barra Funda está deixando de ser um bairro industrial e se tornando residencial”, afirma. Estrutura para isso não falta. “O bairro tem vias largas e fácil acesso suficientes para suportar o tráfico que vai chegar”, completa Kapudjian.

A primeira incorporadora a observar o enorme potencial que a Barra Funda camuflava foi a Klabin Segall, que lançou em 2000 o condomínio com 400 unidades Cores da Barra. “Enxergamos a Barra Funda como uma excelente oportunidade. Além das coisas que estavam para acontecer, o bairro está estrategicamente localizado, possui uma malha viária completa e infra-estrutura consolidada. Faltava essa ousadia”, relata Marcela Carvalhal, gerente de marketing da empresa.

Revitalização

Concomitantemente à injeção de investimento privado no bairro, os órgãos públicos também planejam viabilizar projetos para revitalizar a região e atrair, conseqüentemente, ainda mais investidores e novos moradores. “Estamos fazendo uma processo de revitalização com a implementação de uma série de medidas de melhoria nos sistema viário”, relatou Paulo Magalhães Bressan, subprefeito da Lapa, que também administra a região da Barra Funda.

Entre as iniciativas citadas por ele estão os prolongamentos das avenidas Francisco Matarazzo e Auro de Moura Andrade, que margeia o muro que separa a linha de trem da CPTM. “Os projetos já estão orçados, mas é para médio prazo porque será preciso mexer na linha férrea”, explica Bressan. É justamente na Francisco Matarazzo que está situado o exemplo mais emblemático do processo de revitalização pelo qual passa o bairro. Com inauguração prevista ainda para este ano, o Shopping Bourbon é mais um fruto de investimento da iniciativa privada.

“Isso demonstra que o perfil do bairro deve realmente mudar. Estão construindo já pensando no consumidor diferenciado, de alta renda”, diz o subprefeito. Segundo ele, a chegada dos novos empreendimentos irá reafirmar uma divisão que já existe no bairro.

“Existem duas Barra Funda, não só no sentido figurado. A mais antiga, na divisa com Campos Elíseos, que se consolidou na década de 1920 com imóveis pequenos que foram passando por gerações de famílias, e região próxima ao fórum, onde a velocidade de investimento é maior porque tem mais espaços disponíveis.” Com isso, completa o subprefeito, a Barra Funda deve consolidar em breve o perfil misto, mesclando prédios residências e comerciais.

 

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