30/10/2006

Uma nova realidade para os condomínios

Fonte: O Estado de S. Paulo

Condomínios residenciais e comerciais estão em processo de transformação.

Zap o especialista em imóveis

Eles tendem a ser um espaço coletivo protegido contra a turbulência e ameaças à qualidade de vida, mas não uma ilha. Na verdade, são espaços ávidos por produtos e serviços. A estabilidade dessas comunidades repousa, em grande parte, sobre o trabalho da administradora e sobre o que esta oferece em termos de parceria com empresas voltadas exclusivamente ou não para o segmento.

A função da administradora tende a ser cada vez mais criativa. Para estabelecer um elo mais forte com seu público, ela tem de procurar novos caminhos. Precisa esforçar-se para oferecer ao condomínio aquilo que ela própria elegeu para si como estratégia de sobrevivência. Se for uma empresa que pensa no meio ambiente, essa preocupação deve se traduzir em propostas concretas para os condomínios de sua carteira.

Mas a preservação ambiental não é tudo. A vida moderna é uma corrida contra o tempo e aqueles que vivem e trabalham em condomínios residenciais ou comerciais precisam, se possível, fazer tudo ali ou nas imediações. Essa demanda de serviços é múltipla e a administradora precisa estar no centro da operação. Lava rápido, bonbonnière, postos de lavanderia, costura e engraxataria, e muito mais, são facilidades que podem ser implantadas no próprio condomínio. Uma outra gama de serviços fica do lado de fora dos muros.

O conceito de conciergerie foi importado da hotelaria. Mas é exatamente o que as administradoras precisam praticar para oferecer facilidades e melhorar a vida daqueles que vivem ou trabalham em condomínios residenciais e comerciais. Significa intermediar para que esse público tenha ingressos para ir ao teatro, alugue veículos, compre remédios ou comida com preços honestos ou, melhor ainda, com descontos. Profissionais da administradora cuidarão disso em tempo integral, depois de cadastrarem a rede de serviços e comércio nas proximidades do condomínio para o atendimento local. Assim como na hotelaria, atendentes treinadas pela administradora precisam prestar serviços diversificados no próprio condomínio e fora dele.

A conciergerie está prosperando em um segmento que cresce mais rápido do que as próprias cidades. Existem cerca de 27 mil condomínios apenas na cidade de São Paulo. Destes, cerca de 5 mil são comerciais. Na Grande São Paulo, os condomínios respondem por aproximadamente 220 mil empregos diretos e movimentam anualmente R$ 5 bilhões.

Os condomínios temáticos estão chegando. Estão sendo objeto de estudo e pesquisa com os diferentes grupos da biodiversidade urbana. Condomínios com serviços médicos para grupos de determinada faixa etária, com coleta seletiva de lixo e ênfase na preservação ambiental; para solteiros e quaisquer grupos profissionais, poderiam doravante ter um leque mais amplo de opções na hora de adquirir ou locar imóveis em conjuntos residenciais e comerciais.

Cada um desses grupos vai demandar serviços e produtos específicos. Quais e quantos, não podemos saber com exatidão. Serão, todavia, em número muito maior do que supomos. E serão requisitados mais rapidamente do que imaginamos. A demanda por produtos e serviços que extrapolar a área da conciergerie e se destinar às áreas comuns do condomínio será atendida pelo Departamento de Suprimentos da administradora. Surge um outro vasto universo: retrofit de elevadores, equipamentos de segurança, de economia de água e energia elétrica, limpeza de piscina, aproveitamento de água pluvial, redutores de vazão, iluminação minutada, e muito mais. Mas é bom não esquecer: mobiliário, decoração, serviço de festas ou mesmo feng shui nas unidades autônomas são atribuições do concierge.

Nada disso será possível se a administradora estiver fora do centro das operações. Ela não pode pensar à moda antiga porque condomínios são organismos vivos. São a mais criativa opção de moradia dos tempos modernos.
É necessário acompanhá-los e observá-los de perto.

Hubert Gebara é vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP e diretor da Hubert Imóveis.

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