19/01/2009

Uma oca moderna, dentro do mar

Fonte: O Globo

Casa sobre palafitas é uma das 25 que ilustram o livro de Bernardes e Jacobsen

Uma espécie de oca moderna. Assim o arquiteto Paulo Jacobsen define a “Casa do tatu”, em Angra dos Reis, projeto seu e de Claudio Bernardes, de 1989. A casa, que tem 550 metros quadrados, foi erguida sobre o mar, numa época em que as palafitas, associadas à sub-habitação, raramente eram usadas numa grande obra de arquitetura. O telhado é de piaçava e, em seu ponto mais alto, uma clarabóia deixa a luz natural entrar.

Essa é uma das 25 construções que ilustram o livro “Claudio Bernardes e Paulo Jacobsen – Percurso de uma parceria na arquitetura”, lançado pela Editora Capivara, com 334 páginas. Uma pequena amostra dos mais de 500 trabalhos da dupla, que sempre transitou das estruturas de aço ao uso do sapê. O livro traz, além de textos e fotos, plantas dos projetos.

Jacobsen conta que o livro foi uma forma de documentar o resultado de uma parceria de cerca de 25 anos depois da morte de Bernardes, em 2001, em um acidente de carro.

Alguns projetos nossos sequer estavam prontos, quando ele morreu. Sempre propusemos uma arquitetura que transformasse o que acontecia no mundo em brasilidade. Não quis que isso se perdesse, que nosso estilo ficasse sem dono.

Na “Casa do tatu”, que se desenvolve a partir de uma “bandeja de concreto”, dois módulos interligam-se por uma longa e sinuosa passarela. No piso, grandes panos de vidro permitem visualizar os peixes no mar. Por mais diferente que possa parecer de outras casas do livro, mais high-techs, diz Jacobsen, esta, assim como todas as outras, tem a mesma alma.

Aparentemente as casas são diferentes, mas a forma de encarar os espaços, a preocupação com luz, ventilação, com o uso aparente dos sistemas construtivos, fosse ele a madeira ou o aço, são os mesmos.

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