29/10/2006

Vale quanto pesa

Fonte: O Globo

Especialistas dizem até que ponto pode ser vantajoso retirar a TR dos contratos

Simulações feitas a partir das novas regras para os contratos imobiliários mostram que linhas de crédito prefixadas — com TR travada ou sem TR — podem ser mais vantajosas do que as usadas antes, pelo Sistema de Financiamento Habitacional (SFH). É o que mostram os cálculos feitos pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), a pedido do “Morar Bem”. No caso da Caixa Econômica Federal (CEF), por exemplo, para pagamento mediante carnê, um financiamento de 80% de um imóvel de R$250 mil, com taxa pré de 14,5% ao ano, teria custo total de R$412.032,23, ao fim de 15 anos. Pelo SFH, o mesmo imóvel sairia por R$444.809,14 no mesmo período. Além das linhas da Caixa, a simulação inclui as dos bancos Bradesco, HSBC e Santander.

Segundo o vice-presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, no entanto, se o cenário se mantiver estável, com os juros caindo, ganhará quem apostar na modalidade pós-fixada. Afinal, lembra, sempre que houver queda das taxas, a TR sofrerá redução:

— Por outro lado, num cenário de instabilidade, os financiamentos prefixados evitam que as parcelas sofram aumento. É o ideal para quem quer evitar surpresas e não gosta de correr riscos.

“Sem TR, juros seriam de, no máximo, 12%”

Mesmo diante das sucessivas quedas da taxa básica de juros Selic — que no último dia 18 caiu a 13,5% — e com uma perspectiva de novas reduções, há quem veja mais vantagem na modalidade prefixada. É o caso do vice-presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Rodolpho Vasconcellos:

— Financiamentos imobiliários são normalmente longos. Não é possível prever o que acontecerá num período de dez, 15 anos. Além disso, quem cria o maior impacto sobre o crédito tomado não é a TR e sim a taxa de juro, altíssima no Brasil. E, como aqui não há repactuação de juros, por mais que eles venham a cair, os contratos terão o índice mantido no patamar do período de fechamento do contrato.

Oliveira faz duras críticas à maneira como as instituições estão divulgando as novas linhas de crédito, após o lançamento do pacote habitacional do governo, há pouco mais de um mês. Na ocasião, a aplicação da TR nos financiamentos passou a ser facultativa e criou-se a modalidade de TR travada, que o governo divulgará ao fim de cada mês, com base em cálculos do trimestre anterior. Só que alguns bancos anunciam pacotes com parcelas prefixadas, sem TR, mas embutem aí a taxa fixada pelo governo:

— Se não há correção pela TR, os juros não poderiam passar de 12% ao ano. Os bancos que anunciam essa modalidade, com percentual superior, acabam induzindo o cliente a uma avaliação errada.

Por isso mesmo é que os analistas recomendam cautela para que o sonho da casa própria não vire pesadelo.

— O que precisa ficar claro é que banco não dá moleza. Se a oferta parece vantajosa demais, é preciso desconfiar. É aconselhável que, antes de fechar o negócio, o candidato a mutuário procure um advogado — aconselha o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas, Luís Carlos Ewald.

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