30/10/2006

Velho de cara nova é bom negócio

Fonte: O Estado de S. Paulo

Retrofit, movimento comum na Europa, chega a São Paulo para dar cara e uso novos a edifícios antes decadentes, no Centro e nos Jardins

Zap o especialista em imóveisCara Velha – Edifício Marambaia, nos Jardins, antes do Retrofit

Com a política de revitalização do centro de São Paulo – criação de centros culturais, mudança da sede da Prefeitura, melhora da infra-estrutura – , os negócios com imóveis da região começam a ser retomados e esse movimento repercute nos bairros nobres da cidade.

Atentas à oportunidade, empresas passaram a investir na mudança do uso de prédios com bons resultados. Esse movimento, bastante difundido na Europa e nos Estados Unidos, é conhecido pelo termo inglês retrofit.

“Retrofit significa dar vida nova a alguma coisa, a algo previamente feito”, explica o arquiteto e professor da Universidade Mackenzie Nelson Carlos Lauson Dupré, autor do projeto de transformação da Estação Júlio Prestes na Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).

A Sala São Paulo contou com o apoio de patrocinadores e do governo. Na iniciativa privada, o que motiva a intervenção são vantagens econômicas.

“Está caro construir. É importante mostrar para o empreendedor, investidor ou proprietário as vantagens desse novo negócio, que pode valorizar muito o imóvel”, diz o membro diretor do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Marcos Velletri.

Ele cita a vizinhança, infra-estrutura e o detalhamento do orçamento como pontos essenciais para análise de viabilidade. “Não é barato, mas quem tem visão consegue tirar proveito”, resume.

A empresa de seguros Vila Velha, por exemplo, procurou prédios modernos e inteligentes para sua nova sede. Depois de amplo levantamento, optou pela compra e reforma de um edifício residencial dos anos 40, na Avenida Ipiranga.

Zap o especialista em imóveisCara nova – Após mudança, valor do Marambaia triplicou

“Ficou cerca de 30% mais barato que um imóvel equivalente na Berrini (Brooklin)”, diz o presidente da empresa, João Alzani Filho. Além disso, ele projeta uma economia de 22% na folha de pagamento com o transporte dos funcionários. “E a infra-estrutura geral daqui é muito maior.” A nova sede da Vila Velha manterá a fachada original. “No interior trocamos a instalação hidráulica, elétrica, ar-condicionado, revestimento e elevadores. Fizemos as alterações de segurança exigidas e, mesmo sem incentivos fiscais, o preço final ficou abaixo do mercado”, diz o engenheiro responsável pela obra, José Eduardo Prado Barreto. Toda tecnologia dos chamados prédios inteligentes também foi instalada.

Apesar de reconhecer que o maior potencial para retrofit está no centro, Dupré faz o alerta para casos em que as condições do imóvel, o nível de preservação exigido por seu valor histórico e sua localização inviabilizam uma intervenção.

O presidente-executivo do Viva o Centro, Marco Antônio Ramos de Almeida, cita os vantagens da região, como facilidade de acesso e a melhor e mais moderna infra-estrutura instalada na cidade. “É simples para quem vai construir, para a Prefeitura, para todo mundo. É só chegar e usar.”

Residenciais

Há exemplos também da situação inversa: um prédio comercial passar por um retrofit para fins residenciais e prédios que são valorizados por receberem nova roupagem. Ao construir o hotel Caesar Park Faria Lima, a incorporadora Inpar ficou com a unidade da Rua Augusta.

A empresa decidiu manter a fachada e transformar os antigos quartos em apartamentos para fixar moradores. “Pretendemos atrair o público que freqüenta a região, muito ligado à arte e cultura”, diz o gerente de Incorporação da Inpar, Sérgio Delgado Pardal. O lançamento será em março e as unidades terão entre 36 m² (R$ 100 mil) e 86 m² (R$ 260 mil).

Apesar da resistência inicial, o retrofit também chegou aos Jardins, remodelou a fachada de um prédio sem valor arquitetônico. “Com um investimento de pouco mais de R$ 150 mil, resolvemos o problema de infiltração, aumentamos em 40 m² a área útil em cada apartamento e em média triplicamos o valor de mercado do imóvel”, enumera o ex-proprietário de um apartamento e arquiteto responsável pelo retrofit do edifício, Roberto Candusso. “Quando comprei o apartamento, paguei R$ 550 mil. Depois da reforma, já foram vendidos três, o mais caro por R$ 2,1 milhões.”

Financiamento

A Caixa Econômica Federal (CEF) tem uma linha de crédito R$ 200 milhões, específica de para recuperação de imóveis localizados em centros urbanos degradados de nove cidades brasileiras.

Os valores vão até R$ 500 mil para pessoas físicas em unidades isoladas; R$ 5 milhões para pessoa jurídica; e de até R$ 10 milhões para empreendimentos habitacionais.

Informações:
(0–11) 6612 2600 www.caixa.gov.br

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