30/10/2006

Vem muito mais por aí em 5 anos, orçamento individual de bancos supera o de todo o sistema

Fonte: O Globo

Para executivo, também houve melhoria da qualidade do crédito

O volume de crédito concedido via SFH no ano 2000 – somando-se todos os bancos, foi R$1,835 bilhão – é inferior ou está bem próximo do orçamento individual de diferentes instituições para este ano. É o caso de Bradesco e Santander, que pretendem investir R$2 bilhões cada um no financiamento da casa própria. O Itaú prevê R$1,4 bilhão. E o Real, outro R$1,2 bilhão. Mas se a demanda for maior, diz o superintendente de Crédito Imobiliário do Real, Hus Morgan, esse orçamento pode ser esticado. E acrescenta:

– Não só o volume de crédito aumentou como as condições de financiamento melhoraram. Atualmente, tudo é muito mais flexível. Nosso banco, por exemplo, acaba de lançar uma linha que financia até 100% do valor do imóvel.

Ainda segundo Morgan, serão necessárias mais duas décadas até se alcançar o patamar de estabilidade de crédito:

– Para chegarmos à velocidade de cruzeiro, temos que conceder recursos por, pelo menos, uns 20 anos, já que estamos falando de um crédito de longo prazo. A partir daí, o o ritmo de crescimento deve começar a se estabilizar.

Vice da CEF prevê o fim do déficit em 15 anos

Fernando da Costa, vice-presidente da Caixa, por sua vez, diz que, pelos seus cálculos, seriam necessários pelo menos 15 anos nesse ritmo de investimento para se resolver o atual déficit habitacional:

– Se mantivermos o ritmo de contratações por mais três ou quatro governos, temos condições de resolver boa parte do déficit habitacional. Até porque, já sabemos quais os instrumentos que devemos usar.

Natalino Gazonato, presidente da Abecip, destaca que nos anos 90, o crédito imobiliário era uma fonte de conflito entre cliente e instituições, devido ao desequilíbrio dos contratos e à falta de segurança jurídica. E, por isso mesmo, diz, era tratado como um negócio marginal.

– Não foi a exigibilidade feita pelo governo que impulsionou o crédito. Se não tivéssemos avançados na segurança jurídica, com certeza o mercado teria como brecar essa exigência. Atualmente, o crédito imobiliário é um negócio do banco.

Para Márcio Fortes, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Rio (Ademi/RJ), outros avanços precisam ser feitos para que os recursos não fiquem concentrados no financiamento de imóveis usados:

– Não tínhamos recursos, agora temos. Mas é preciso ainda melhorar a burocracia do sistema, para que esse dinheiro possa contribuir, de fato, para a redução do déficit habitacional. Da aprovação de projetos nas prefeituras ao trabalho dos cartórios.

Segundo Gazonato, entretanto, atualmente, o financiamento de imóveis novos e usados está equilibrado, meio a meio, e é bom que seja assim:

– O equilíbrio é saudável. É preciso ter crédito para o imóvel usado como forma de impulsionar o imóvel novo.

De 2003 a 2004, edificação residencial cresceu 15%

E o aumento do crédito já se reflete na Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic), do IBGE. Os dados mostram que, de 2003 a 2004, quando começou a retomada, houve um crescimento real de 15% nas edificações residenciais.

– Um avanço considerável, explicado pela criação de instrumentos como a alienação fiduciária e o patrimônio de afetação, além da mudança da regra de retorno do FCVS — avalia José Carlos Guabyara, responsável pela Paic.

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