14/04/2010

Venda de cimento cresce 20,6%

Fonte: O Globo
Queda das vendas foi generalizada e atingiu também o cimento (Foto: Divulgalção)
Queda das vendas foi generalizada e atingiu também o cimento (Foto: Divulgalção)

Sustentada pelo avanço da construção civil nos últimos meses, a venda de cimento no Brasil no mês passado foi 20,6% maior que no mesmo mês de 2009. Foram 5,1 milhões de toneladas vendidas em março. Além do impulso da construção civil, o que ajuda a explicar esse crescimento robusto foi o primeiro trimestre ruim de 2009. Ainda mergulhado na recessão, o país sentia os efeitos da crise financeira internacional. A queda das vendas foi generalizada e atingiu também o cimento, explica José Otávio Carvalho, vice-presidente executivo do Sindicato Nacional da Construção Civil.

“No primeiro semestre de 2009, as vendas foram fracas. Nossa projeção para aumento do consumo este ano é de 7,5%. Estamos revendo esses números, mas a expansão deve ficar só um pouco mais alta. A crise foi menos danosa à indústria do cimento.”

Enquanto a produção industrial no país recuou 7,4% em 2009, na maior queda desde 1990, as cimenteiras conseguiram manter a produção no mesmo nível de 2008. E hoje está 2,6% acima do período pré-crise.

“O setor vinha crescendo desde 2006 e deu uma parada em 2009. Apesar do primeiro semestre fraco, conseguimos compensar no segundo”, afirmou Carvalho.

CRÉDITO BATE RECORDE COM FIM DE IPI MENOR PARA AUTOMÓVEIS – Para ele, ainda permanecem os fatores que provocaram a expansão da venda de cimento nos últimos anos: nova regulação, mais dinheiro para habitação liberado por bancos privados e pela Caixa Econômica Federal, aumento da massa salarial. A novidade este ano é a habitação popular: -Até a crise de 2008, os lançamentos para a classe média e classe média alta sustentavam a venda.

Agora, com o programa de atendimento de classes com nível de renda mais baixo, o consumo voltou a crescer. Esse segmento responde por 90% do déficit habitacional. Já as obras de infraestrutura ainda respondem pouco pela venda de cimento no Brasil. Pela avaliação de Carvalho, chegam a 20% das vendas. Outro indicador da retomada da atividade econômica, a demanda por crédito bateu recorde em março e foi influenciada pelos alívios fiscais promovidos pelo governo.

Segundo o Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito, a quantidade de pessoas que procurou crédito no mês passado cresceu 18,3% em relação a fevereiro. É o maior patamar desde janeiro de 2007, quando o indicador passou a ser calculado. O resultado de março superou a melhor marca registrada até então, de maio de 2008. Segundo os economistas da Serasa, os consumidores aproveitaram o último mês de desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IP0 em automóveis e produtos da linha branca para parcelar as suas compras. Além disso, março teve mais dias úteis (23) que fevereiro (18). “A atual conjuntura favorável da inadimplência do consumidor e da evolução da massa real de rendimentos também constituem alavancas importantes para o crescimento vigoroso do crédito”, explica a Serasa por meio de uma nota. Na comparação de março deste ano com março de 2009, a demanda do consumidor por crédito subiu 32,5%, também um recorde.

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