15/10/2008

Venda de imóveis residenciais e locação tiveram queda em agosto

Fonte: Editoria Zap

Queda poderá ser mais acentuada nas pesquisas de setembro e outubro em razão da crise financeira global

Agosto não deixou saudades nas imobiliárias paulistas. As locações de imóveis residenciais tiveram queda de 16% e as vendas baixaram 8,55% em relação a julho, segundo pesquisa feita pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP) com 1.538 imobiliárias de 37 cidades do Estado.         

A queda nas vendas de imóveis usados foi registrada em duas das quatro regiões em que se divide a pesquisa Creci-SP – na capital (- 19,18%) e no litoral (- 34,94%). Já no Interior houve alta de 7,64%, o que também aconteceu nas cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Guarulhos e Osasco – as vendas em agosto foram 14,01% superiores às de julho.

No mercado de locação residencial, só o litoral foi exceção – o número de imóveis alugados em agosto foi 1,83% maior que o de julho. Na Capital houve queda de 15,21%. No interior, ela foi quase igual, ficando em 14,85%. Nas cidades do   A, B, C, D, Guarulhos e Osasco chegou a 22,88%.

“Não se pode falar em tendência de baixa geral do mercado por causa da crise financeira global, até porque ela se agravou mesmo em setembro e agora em outubro”, afirma o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto. Será preciso esperar as próximas pesquisas para vermos eventuais reflexos no mercado imobiliário local. Ele recomenda cautela aos que pensam em se desfazer de bens como imóveis e acha fundamental “não entrar nas ondas de pânico” que se espalham pela mídia.

“Não há garantia maior e mais sólida que tijolo, sempre um porto seguro para os momentos de crise, um bem que não se vai perder por causa de flutuações nas bolsas de valores ou operações obscuras no mercado financeiro”, argumenta o presidente do Creci-SP. Ele pondera que a economia brasileira está bem protegida contra movimentos especulativos e ancorada em bases muito sólidas, como reservas de US$ 200 bilhões, produção em crescimento, empregos em expansão. “Vamos sentir os efeitos da crise também, é claro, mas não será o fim do mundo anunciado por pessoas irresponsáveis ou oportunistas”.

“Não há motivos, por exemplo, para que se aumentem os juros dos financiamentos imobiliários, pois o dinheiro que os bancos captam para emprestar aos compradores de imóveis continua sendo remunerado com juros da poupança, de 6% ao ano mais TR, e de 3% no caso dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço”, pondera. “Os compradores de imóveis não podem pagar o preço da irresponsabilidade de quem especulou com o dinheiro alheio”.

Vendas à vista
A pesquisa Creci-SP constatou que 1.538 imobiliárias venderam em agosto 941 imóveis, o que fez o índice estadual de vendas recuar de 0,6691 para 0,6118 no período, com queda de 8,55%. A maioria das vendas foi à vista – 54,39% na Capital; 49,49% no Interior; 64,97% no Litoral. Só nas cidades do A, B, C, D, Guarulhos e Osasco os financiamentos superaram as vendas à vista: 63,37% financiados contra 29,7% à vista.

Na Capital, a faixa de imóveis mais vendida foi a de preço médio final acima de R$ 200 mil, com 32,35% do total e 55,29% do total de vendas foram para casas e apartamentos de até R$ 160 mil. No Interior foi a faixa de valor entre R$ 61 mil e R$ 80 mil a campeã de vendas, somando 24,57% dos negócios fechados. Nas cidades do Litoral o valor foi pouco menor – a faixa de R$ 41 mil a R$ 60 mil concentrou 16,57% das vendas. Na região do A, B, C, D, Guarulhos e Osasco, foram os imóveis na faixa de valor entre R$ 81 mil e R$ 100 mil os campões de venda, com 18,13% do total vendido em agosto.

Nas cidades pesquisadas pelo entidade, dadas as características diversas de renda e mercado, há naturalmente grandes variações nos preços dos imóveis usados. Em agosto, por exemplo, duas cidades espelham bem essa diferença – Santos e São José dos Campos, praia e campo. Em Santos, segundo a pesquisa apurou, o menor valor que se pagou por um imóvel foram R$ 789,47 pelo metro quadrado de casas de 3 dormitórios situadas na área central da cidade. O valor máximo foi R$ 2.642,86 por apartamentos de 3 dormitórios localizados em bairros de áreas nobres da cidade.   

Em São José dos Campos, o menor valor encontrado pela pesquisa foi de R$ 937,50 o metro quadrado por apartamentos de 3 dormitórios situados na área central. O metro quadrado médio mais caro – R$ 2.142,85 – foi o de apartamentos de 2 dormitórios localizados em bairros da área central da cidade. No interior do Estado, o levantamento encontrou preços em Sorocaba que variaram de R$ 629,63 o metro quadrado da casa de 2 dormitórios no centro a R$1.888,89 pelo apartamento de 3 dormitórios também localizado nessa região.

Locação: as casas são as preferidas no Estado
A pesquisa constatou que em agosto as casas foram o imóvel preferido pelos novos inquilinos – elas representaram 57,83% dos novos contratos, ficando os apartamentos com os restantes 42,17%. Nas imobiliárias pesquisadas, o cancelamento de contratos com a devolução dos imóveis, foi equivalente a 58,93% das novas locações.

O fiador é ainda a forma predominante de garantia das locações, presente em 43,44% dos contratos na capital; em 87,7% no interior; em 48,31% no litoral; e em 55,19% nas cidades do A, B, C, D, Guarulhos e Osasco.

A distribuição dos contratos por faixa de valor do aluguel seguiu tendência mais ou menos similar nas quatro regiões componentes da pesquisa. Na Capital, a faixa de R$ 201 a R$ 400,00 respondeu por 25,98% das novas locações. Essa foi também a faixa líder de contratações nas cidades do A, B, C, D, Guarulhos e Osasco – 38,46% do total. 

No Interior, a faixa com maior percentual de novas locações – 28,49% – foi a dos aluguéis entre R$ 401 e R$ 600, que se repetiu no Litoral, com 38,1% das contratações feitas em agosto.

O desdobramento da apuração feita no interior mostra grandes variações nos aluguéis. Em Americana, por exemplo, o menor aluguel encontrado foi de R$ 280 por casas de um dormitório em regiões fora da área central e dos bairros nobres. Já o maior valor foi R$ 1.500 por apartamentos de três dormitórios situados nessas áreas nobres. Em Marília, o valor máximo de locação foi R$ 2.000 por casas de quatro dormitórios localizadas em regiões nobres da cidade, sendo o menor aluguel os R$ 150 pedidos por casas de três dormitórios situadas na região central.

A pesquisa Creci-SP foi feita em 37 cidades:  Americana, Araçatuba, Araraquara, Bauru, Campinas, Diadema, Guarulhos, Franca, Itu, Jundiaí, Marília, Osasco, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba, Taubaté, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião, Ubatuba, Bertioga, Guarujá, Santos, São Vicente, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe e Praia Grande.

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