05/11/2008

Venda de Imóveis usados cresce no Rio em outubro

Fonte: O Globo

Consumidores enxergando o imóvel pronto como um ativo para investir

O mercado imobiliário experimenta os dois lados da moeda diante da crise financeira mundial. Se por um lado o número de lançamentos imobiliários vem despencando e as empresas estão selecionando para venda os empreendimentos com melhor retorno financeiro, por outro, a procura por imóveis usados vem crescendo. A explicação está em consumidores que não desistiram de comprar e, também, naqueles que estão enxergando o imóvel pronto como um ativo para investir, migrando do mercado financeiro para o imobiliário, segundo as próprias empresas do setor.

Leila Bogoricin, da Julio Bogoricin Imóveis, afirma que, em outubro, a empresa, que tem 22 lojas no Rio e abrirá mais uma unidade em Botafogo até o fim do ano, vendeu 459 imóveis usados.

Só não foi melhor porque tivemos um feriado, o que reduziu a procura. Não senti queda nas vendas de imóveis usados. Houve, sim, uma redução no número de ligações e de retorno a anúncios. Mas quem nos procura já vem com a real intenção de compra  diz Leila.

Ética Imobiliária fechou 510 escrituras em outubro
Segundo ela, as vendas têm acontecido tanto na classe média, que busca um imóvel para moradia, quanto na classe alta, que está vendo o imóvel como um investimento mais seguro neste momento de crise.

Marlei Feliciano, diretor-presidente da Ética Imobiliária, uma das subsidiárias da Brasil Brokers, grupo de consultoria e intermediação imobiliária , é mais um que afirma que o mercado de imóveis usados está aquecido.

Temos percebido uma procura maior e um crescimento entre 15% e 19% acima do registrado nos meses anteriores. Algumas vendas são para investidores, que optaram por imóveis prontos.

Segundo ele, a média de vendas de imóveis usados nas 25 lojas da Ética no Rio até setembro vinha sendo de 420 a 430 unidades mensais e, em outubro, foram 510 escrituras.

“Isso confirma o aquecimento do mercado de imóveis usados. No momento de crise, nada como um investimento de raiz. Há clientes que tinham pensado em comprar imóveis em lançamento e optaram pelos usados”, diz.

Patrimóvel vendeu menos usados em outubro
Rogério Quintanilha, gerente geral de imóveis da Apsa, também vendeu mais imóveis usados em outubro, na comparação com o mês anterior. Segundo ele, enquanto em setembro foram vendidas 30 unidades, em outubro houve um acréscimo de 10%.

Quem está decidido a comprar um imóvel não deixou de fazê-lo. Ainda estamos no olho do furacão da crise, mas há uma indicação de que o imóvel usado será privilegiado nesse momento.

Sem seguir a trilha de otimismo das demais empresas, Rubem Vasconcelos, presidente da Patrimóvel, diz que não registrou aumento nas vendas de imóveis usados em outubro. Pelo contrário. Segundo ele, em setembro foram vendidos 25 imóveis usados e, em outubro, apenas 11. Para ele, todo o mercado imobiliário sofreu baixas por conta do pânico causado pela crise financeira.

As pessoas deram uma parada para ver o que vai acontecer, apesar de o mercado imobiliário não ser afetado pela crise, já que o sistema financeiro não tem falta de dinheiro nem para construir e nem para o cliente final. Mesmo assim, o setor foi contaminado por um pânico momentâneo que logo se dissipará afirma.

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