24/03/2009

Vendas de materiais de construção caem 12%

Fonte: Jornal da Tarde

Apesar da negativa do ministro Mantega, setor espera que o governo reduza os impostos destes produtos no pacote habitacional previsto para ser divulgado amanhã

As vendas das lojas de material de construção registraram queda de 12% no primeiro bimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2008.

Em janeiro, as vendas do setor caíram 11,5%. Já em fevereiro a queda foi de 5%, conforme dados da Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco), que foram divulgados ontem em entrevista para anunciar a 17º Feira Internacional da Indústria de Construção, a Feicon Batimat, que será aberta hoje no Pavilhão do Anhembi, em São Paulo.

A partir desses resultados, o setor decidiu rever as expectativas de crescimento para este ano, que eram de 8,5% e passaram a 5%.

Claudio Conz, presidente da entidade e integrante do Grupo de Gerenciamento da Crise (GAC) criado pelo governo, acredita que a desoneração dos produtos ajudaria a reaquecer as vendas, mas, segundo ele, deve ser combinada com a desburocratização do crédito para a compra desses materiais pelo consumidor de baixa renda. O financiamento utiliza recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como forma de impulsionar o crédito disponíveis para esse fim.

“Houve um aumento expressivo de recursos, mas o banco ainda exige um fiador. Além disso, para conseguir o crédito, o consumidor tem que ir até o banco. Defendemos que o crédito seja feito na própria loja de materiais.”

As vendas de tintas também tiveram queda nos primeiros meses do ano, de 15%. “Também defendemos a facilidade do crédito e a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que é positivo para o consumidor final”, diz Dílson Ferreira, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati).

Sergio Watanabe, presidente do Sindicato da Habitação em São Paulo (Sinduscon) diz que o setor foi prejudicado de forma generalizada. “O PIB (Produto Interno Bruto) da construção vinha em ritmo forte, mas desacelerou no 4º trimestre de 2008.

MEDIDAS – Diante desse cenário, a Associação Brasileira de Materiais de Construção (Abramat) e a Anamaco acreditam na possibilidade de o governo incluir no pacote para a habitação, que deve ser anunciado amanhã em Brasília, a redução do IPI dos materiais de construção. “Se não fizerem a desoneração, vão alimentar a recessão”, acredita Melvyn Fox, presidente da Abramat. “A partir dela, o pequeno consumidor, que representa cerca de 70% de consumo de materiais, seria beneficiado no bolso. Ela poderá ser temporária e deve durar dois anos.”

Para ele, a desoneração, caso ocorra, será imediata, a exemplo da redução do IPI concedida para automóveis. Ela também será proporcional ao desconto que o consumidor terá nos materiais. Ou seja, pode variar entre 5% e 7%, alíquota média dos materiais, caso essa tributação seja zerada.

Apesar do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter anunciado que não haverá isenção do IPI, as associações acreditam que foi uma declaração em tom emergencial, para incentivar o consumo de materiais, que, argumentam, diminuiu com a expectativa da redução da carga tributária. Porém, o setor já apoia a diminuição parcial do imposto, de cerca de 50%. “Achamos que o governo vai fazer essa desoneração porque ela é um dos pontos fundamentais no pacote. Sem ela, o resultado fica comprometido”, diz Fox.

Antonio Sousa Ramalho, presidente do Sindicato da Construção Civil de São Paulo da Força Sindical, acredita que a desoneração deve, ao menos, atingir a cesta básica de materiais. “Já conseguimos anteriormente desonerar o imposto de 46 produtos. Apoiamos a redução de 70% de todo o material básico, a exemplo de cimento e cal, por seis meses, renováveis conforme a necessidade”. Fox, porém, espera que a medida deva ter mais impacto. “Estamos pensando na redução do valor final da obra.” Sobre o ICMS, Fox acredita que uma redução de até 40% já reduziria em 3% o valor para consumo. Mas admite que há mais dificuldade de essa ação ser tomada. “Teria que ser uma medida nacional, senão criaria uma guerra de preços entre os Estados”, afirma.

MENOS IMPOSTOS – “Com a desoneração, os materiais poderão ter redução de preço de até 7%, beneficiando de forma direta o consumidor”.

MELVYN FOX,
PRESIDENTE DA ABRAMAT

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