10/11/2008

Vendas em queda e aluguéis em alta

Fonte: O Globo

Mesmo antes da crise, o mercado de locação já estava sobrevalorizado, dizem especialistas

Cautela diante da crise financeira global e expectativa de que o custo do crédito imobiliário volte aos patamares anteriores à turbulência. Os planos de compra da casa própria estão em compasso de espera, e a procura por imóveis para locação se aquece. O que preocupa inquilinos, já que, em capitais como o Rio, a lei da oferta e da procura está favorecendo os proprietários.

Mesmo antes da crise, o mercado de locação já estava sobrevalorizado, dizem especialistas. Enquanto a procura cresceu 80% nos últimos 12 meses até outubro, segundo levantamento da administradora Apsa, a maior do Rio, a oferta caiu cerca de 50%.

Os aluguéis na cidade, segundo Rogério Quintanilha, gerente-geral de imóveis da Apsa, subiram 20% no mesmo período. Ou seja, acima do IGPM, que serve de base para a correção da maior parte dos contratos de locação, e que foi a 12,23% naqueles meses. E em 2008, até outubro, o índice está em 9,53%, superior a todo 2007 (7,75%).

Taxação inibe investimento
Como nas crises o setor imobiliário é tido como um porto seguro, alguns especialistas até acham que, quem tem dinheiro para pagar à vista, vai estudar a compra de imóvel para alugar.

O mercado de imóveis usados ou em estoque está, inclusive, sendo beneficiado pela turbulência dos mercados  continua Quintanilha.

Mas, para Leandro Ibagy, coordenador de Locação da Câmara Brasileira de Comércio e Serviços Imobiliários (CBCSQ, o setor se preocupa com alguns obstáculos para esse tipo de investimento: a lentidão nas ações de despejo e a tributação da renda obtida com aluguel de imóvel, que é muito superior à obtida com outros investimentos, como a aplicação financeira.

Leandro Ibagy, da Câmara Bra¬sileira de Comércio e Serviços Imobiliários (CBCSI), afirma ainda que se, por causa da crise, todas as pessoas desistissem da compra de imóvel e partissem para a locação, o país não estaria preparado:

Em Belo Horizonte e Curitiba, há filas de espera em todas as imobiliárias. E o Rio não foge muito desse cenário. Essa é, hoje, nossa plataforma de discussão com o governo federal.

Para o economista da LCA Francisco Pessoa, no entanto, a turbulência ainda é muito recente para se avaliar se haverá impacto no valor dos aluguéis.

À medida que as pessoas adiam a compra do imóvel e mantêm o seu aluguel, a oferta de unidades para locação passa a ser menor. Mas, por outro lado, a procura por novos aluguéis também tende a cair no momento por causa da crise financeira  pondera Pessoa, lembrando que o aluguel é um investimento caro e que, se a pessoa não puder mais pagar por ele, tem de arcar com uma multa muito alta.

O fato é que mesmo a negociação de contratos de aluguel antigos está mais difícil, afirma Manoel Maia, vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio): Os proprietários estão tirando proveito da falta de oferta. Quem paga aluguel pode e deve negociar o repasse da inflação, afinal, perder um bom inquilino custa caro para o dono do imóvel. Mas evitar o aumento é praticamente inviável, porque muitos aluguéis estavam desvalorizados.  

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