18/08/2008

Versátil na forma e na matéria

Fonte: O Estado de S. Paulo

Acrílico, alumínio fundido. Resina, metal cromado, madeira. Para criar, Bernardo Krasniansky transita por diversos mundos

ECA efervescência cultural no Brasil dos anos 1970 atraiu o paraguaio Bernardo Krasniansky a São Paulo. De início, começou a cursar artes plásticas na ECA (Escola de Comunicações e Artes da USP) em busca de linguagens expressivas para o talento demonstrado desde a infância. Aos 7 anos, já freqüentava a escola de artes em Assunção e, em 1965, aos 14, fazia sua primeira exposição, no auge da pop art e do movimento hippie. “Parece um paradoxo, mas nunca se criou tanto quanto naqueles anos de chumbo. Não só no Brasil, mas também nos países latino-americanos dominados por ditaduras”, reconhece.

O contato com a vanguarda e diferentes escolas amadureceu o trabalho do designer e artista plástico, que transita do desenho sobre papel à escultura e fotografia – ultimamente, porém, tem produzido sobretudo em metal cromado, resina e madeira, sob a forma de vasos e utilitários de linhas irreverentes.

Foi nos tempos de ECA que Bernardo começou a criar. “Trabalhava com acrílico, novidade no Brasil naquela época. Eram objetos para escritório, luminárias, mesas, biombos.” A fase seguinte foi a do cromado, a partir da observação de uma calota de carro. “Comecei a fazer vasos e continuei com utilitários de escritório.” Ele chamou de Hora a linha de 24 vasos desse estilo, que misturam faces curvas e retas (na Zona D, a partir de R$ 599 cada um), e podem ser agrupados em combinações, criando jogos de volumes.

No final dos anos 80, Bernardo lançou peças de alumínio fundido (miniaturas de animais a partir de R$ 30, na Paper House). Depois foi a vez de a resina de poliéster chegar à arte do designer, transformando-se em fruteiras, vasos e aparadores de livros em forma de meias-cabeças que ganham efeito inusitado quando pintadas de preto ou misturadas a areia ou pó de mármore (a partir de R$ 130 o par, idem). “Em Madri, descobri uma fábrica de gesso do século 19.

Comprei várias peças. Depois, frag-mentando-as, surgiram as esculturas, os pesos de papel…uma releitura de objetos antigos.” Por fim, há oito anos, ele começou a explorar a madeira em objetos para escritório e brinquedos que se descontroem. Caso de um mágico recortado em chapas duplas – e que permitem interpretações diferentes, dependendo do ângulo que se vê a peça. “São brinquedos para adultos”, explica.

O trabalho de Bernardo é fundamentalmente artesanal. Ele faz o desenho e o apresenta a uma equipe de colaboradores. Mesmo quando o processo é industrial, as peças são finalizadas à mão. “Prezo o acabamento, a escolha dos materiais e o acompanhamento do feitio”, garante. “Tenho clientes que possuem peças que fiz há mais de 20 anos.” Hoje, as criações de Bernardo são vendidas mundo afora. Por aqui, basta dizer que ele é o designer número 001 nos registros da Zona D. Nada menos que o primeiro fornecedor, quando a loja era só uma idéia.

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