19/03/2009

Vidro potencializa a energia solar

Fonte: Globo online

Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram placas capazes de ampliar em dez vezes a eficiência dos painéis solares

Limpa e renovável, a energia solar esbarra num problema: a baixa eficiência dos painéis fotovoltaicos, incapazes de converter em eletricidade toda a energia que recebem do Sol. Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), no entanto, desenvolveram um meio de “turbinar o sistema”: os concentradores solares orgânicos (OSC), placas capazes de ampliar em dez vezes a eficiência dos painéis solares. Sobre a placa de vidro, uma película fina de corantes especiais funciona como uma armadilha que prende a luz. As moléculas dos corantes absorvem raios do Sol e os reemitem dentro do vidro.

Uma vez dentro do vidro, ela não pode sair  explicou, em entrevista à revista americana “Science”, Jonathan Mapel, que desenvolveu a tecnologia com mais quatro colegas do MIT. Os pesquisadores já abriram uma empresa para comercializar a nova tecnologia, a Covalent Solar. A produção pode começar em três anos.

Segundo Mapel, o funcionamento lembra o da fibra óptica: Quando você dispara laser numa ponta da fibra, essa luz se reflete dentro dela até alcançar a outra ponta. Do mesmo jeito, a luz coletada por toda a superfície do vidro viaja para as bordas. Ali, a luz concentrada pode ser captada por qualquer painel solar, mas com um ganho de eficiência.

Hoje, a energia solar custa três vezes mais do que a gerada por fontes convencionais. Daí o interesse em concentrar a luz do Sol, incidindo sobre uma grande superfície, em uma pequena área. As usinas de energia solar usam grandes espelhos curvos em série para redirecionar luz aos painéis. Como girassóis, esses espelhos se movem ao longo do dia, evitando fazer sombra um no outro.

Sem a ajuda desses espelhos, um painel solar convencional converte apenas 14% da energia da luz solar em eletricidade. Usando os espelhos gigantes, a eficiência chega a no máximo 40%, mas a estratégia é cara. Além do preço, outra desvantagem dos espelhos é que eles não concentram só luz, mas também calor. Os painéis solares precisam, então, ser esfriados para funcionar direito.

A ideia de usar películas com corantes para concentrar luz solar já tinha sido explorada nos anos 1970, mas foi descartada porque os corantes da época não transportavam luz por distâncias suficientes. Mapel e seus colegas ressuscitaram a ideia quando pesquisavam painéis solares “orgânicos”, feitos de compostos de carbono – usado em lugar do silício, material mais comum dos painéis.

Mapel acredita, porém, que o uso mais interessante dos OSCs será simplesmente “turbinar” os painéis solares já em uso. Com melhorias no protótipo, descrito na “Science”, ele espera que um painel convencional acoplado a um OSC ultrapasse a eficiência dos painéis acoplados a espelhos, chegando a aproveitar mais de 50% dos quase 5 megawatts-horas que atingem em média cada metro quadrado da Terra.

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