19/09/2003

Vila Mariana: um marco no caminho

Fonte: Editoria Zap

Os primeiros habitantes fixos deste bairro foram famílias italianas que receberam do imperador a concessão das terras. Confira essas e outras curiosidades sobre a história desse bairro aprazível e bem localizado

Zap o especialista em imóveis No século XIX, a região onde hoje está o bairro da Vila Mariana era citada pelos tropeiros apenas como uma referência da distância percorrida em direção a locais como Santo Amaro. Ali era o “meio Caminho do Carro”, ou Cruz das Almas, já que havia marcos à beira do caminho, assinalando a morte de viajantes.

Os primeiros habitantes fixos da região foram 20 famílias italianas, que receberam do imperador a concessão de terras e ocuparam o local onde hoje está o Jardim da Glória, às margens do espigão da avenida Lins de Vasconcelos. Os Verdi, Moreti, Pauleti, Modesto, Cusin, Botecchia, Stopa e demais imigrantes receberam pequenos lotes, com a incumbência de cultivar frutas e hortaliças que ajudassem a abastecer a ainda pequena, porém crescente população de São Paulo.

Em 1885, a vila ganhou o primeiro loteamento, realizado pelo Banco Comercial. Nesse período, surgiram o largo Teodoro de Carvalho e as ruas do Progresso, Dona Inácia Uchôa, Dona Brígida, Dona Júlia e outras nas imediações. O crescimento acelerou-se a partir de 1886, com a inauguração da Estrada Carril de Ferro, que passava sobre o antigo Caminho do Carro. Com o progresso nos meios de transporte, a vila ganhou uma estação, além de uma oficina de conserto de máquinas e vagões.

Dali também partiam outras linhas de bonde, em direção ao Cambuci e ao Matadouro Municipal, que na época estava em construção no atual largo Raul Cardoso. Com a chegada do Abatedouro Municipal, inaugurado em 1887, o bairro recebeu também um novo fluxo de italianos, nativos da região de Castellabate, que trabalhavam como “tripeiros”, comercializando miúdos de boi nas ruas, em carrocinhas puxadas por animais. Eles instalaram-se nas atuais ruas Rio Grande, França Pinto, Humberto I, Joaquim Távora e adjacências.

Em 1888, a região já possuía uma escola pública, uma escola italiana, delegacia de polícia, uma fábrica de fósforos que funcionava na rua Domingos de Morais, além de um hotel, o “Roma Inatingibili”. O reconhecimento da Vila Mariana como um distrito, no entanto, só aconteceu em 1896. Sobre a origem do nome do bairro existem várias versões. Segundo uma delas, a vila foi batizada por Carlos Eduardo de Paula Petit, uma das figuras mais influentes de sua história. Ele teria juntado o nome da esposa, Maria (a primeira professora da região) ao da mãe, Ana, para batizar o bairro.

Além dos italianos, a Vila Mariana recebeu ainda imigrantes de outras nacionalidades: por volta de 1900 mudaram-se para o bairro portugueses e também alemães vindos de Santa Catarina. Estes últimos fixaram-se principalmente na Rua José Antônio Coelho.

Nas décadas de 30 e 40 a urbanização avançou do núcleo inicial em direção a outras regiões, como o Bosque da Saúde e Ibirapuera. Na década de 70, com a chegada do metrô, a Vila Mariana praticamente incorporou-se à área central da cidade, desenvolvendo também um comércio diversificado.

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