16/05/2006

Vila Olímpia quer ser uma Alphaville sem cercas

Fonte: O Estado de S. Paulo

Com uma parceria de empresários e Prefeitura, bairro passa por reformulação

A Vila Olímpia quer ser Alphaville. Só que sem muros. A idéia é que o bairro seja um grande condomínio de livre acesso, com ruas mais espaçosas, calçadas padronizadas e a segurança reforçada. Numa parceria de empresários e Prefeitura, a vila passa por um grande projeto de reurbanização, que já está com 70% das obras concluídas.

Ainda é preciso paciência para ultrapassar os entulhos e dutos, resultado das obras em andamento nas Ruas Funchal, Olimpíadas e Gomes de Carvalho. A obra está atrasada em oito meses. Parte do atraso é por conta da lentidão das desapropriações. Também porque os trabalhos foram reduzidos durante o período eleitoral. Agora, a obra volta a ganhar ritmo. “Na Gomes de Carvalho e Olimpíadas, começaremos a instalar o cabeamento subterrâneo nos próximos dias”, diz o coordenador-geral do Movimento Colméia, José Soares. A previsão da Prefeitura é concluir a primeira fase até o fim do ano.

As ruas que estão dentro do polígono Juscelino Kubitschek-Bandeirantes-Marginal do Pinheiros-Faria Lima-Ribeirão Claro devem ganhar a mesma roupagem dessas primeiras, mas numa outra etapa. A mudança mais visível é nas calçadas, agora mais largas, com 6 metros de cada lado. Elas não terão mais fios, postes e obstáculos. As ruas também foram alargadas. A Funchal e Olimpíadas, por exemplo, passaram da pista simples de mão dupla para três faixas em cada pista.

A nova fase está atraindo também empreendimentos residenciais. Quando ficarem prontos, um em setembro do ano que vem, outro em 2007, vão ser beneficiados por uma rede de 200 câmeras, interligadas a uma central de segurança, e ruas mais espaçosas, que devem aliviar o trânsito ainda caótico na região. “Além disso, quando as pessoas se sentem seguras e têm facilidade para andar pelo bairro, deixam o carro estacionado”, diz Soares.

O Movimento Colméia, ONG que trabalha em parceria com a Prefeitura na execução do projeto, estima que o bairro ultrapasse logo a marca dos atuais 10 mil moradores. “Vai virar um bairro para morar também.”

Parceria

Segundo Soares, empresários do bairro estão contribuindo com R$ 40 milhões, entre doações de terrenos para alargamento das ruas e dinheiro para as obras. Na soma com a Prefeitura, as cifras devem chegar a R$ 121 milhões. Parte dessa verba está sendo usada para as 74 desapropriações no entorno – 34 já feitas e 40 em andamento.

Duas dessas áreas na Rua Olimpíadas serão transformadas em praças. De acordo com projeto do Colméia, os dois terrenos, no cruzamento da Alameda Vicente Pinzon com a Rua Olimpíadas e dessa com a Rua Quatá, serão centros de convivência. Haverá mesas com bancos sob as árvores. Boxes de serviços, como engraxates, banca de jornal, cafeteria, polícia, floricultura e de informações, são propostas de reurbanização para levar ainda mais gente às ruas, a pé.

Mas a etapa trânsito só vai ser mais bem definida depois de concluída essa fase. Segundo a Prefeitura, serão feitos estudos de impacto pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) e Colméia.

Depois da conclusão da primeira fase, deve começar a captação de recursos para obras nas ruas do polígono. “Por todo esse processo de mudança, o Caesar Park tomou a decisão de se instalar na Vila Olímpia”, afirma a diretora de desenvolvimento do Grupo Posadas, Viviene Boverio.

Após 27 anos na Rua Augusta, o hotel mudou de endereço, de olho no desenvolvimento da Vila Olímpia, em maio do ano passado. “O bairro tem vários escritórios de multinacionais. É lá que está nosso público-alvo”, garante Viviene.

O ritmo corrido da cidade grande parece ganhar outro sentido na vila. Engravatados chegam de helicóptero para malhar na Academia Reebok, instalada num dos andares do Caesar. Endinheiradas do País afora esperam ansiosas pela abertura na nova Daslu, ali pertinho, na Marginal do Pinheiros. “Acredito que a loja vá estimular essa demanda de turistas que vêm a São Paulo para comprar produtos de grife”, salienta a diretora.

Tem muita gente apostando nesse novo padrão que o shopping mais luxuoso da cidade vai imputar ao bairro. “A Daslu traz destaque para a região, enobrece”, diz a coordenadora de pesquisa da Jones Lang La Salle, Débora Morilha. É um diferencial comparado a ter um Parque do Ibirapuera como vista, por exemplo. “A Vila Olímpia vai ficar mais nobre do que é.”
 

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