01/06/2007

‘Vinde a nós’ os que não têm holerite

Fonte: Jornal da Tarde

Autônomos podem apresentar extratos de banco e declarações do IR para comprovar renda

Infográfico/AEZap o especialista em imóveisNa hora de assinar o contrato, holerite pode ser substituído ou dispensado

Na tentativa de flexibilizar a análise do processo e a liberação do crédito imobiliário, alguns bancos já deixaram de exigir que os interessados em comprar imóveis residenciais apresentem holerites para comprovar os rendimentos. Com isso, o crédito imobiliário ficou mais acessível para trabalhadores autônomos e profissionais liberais: essas pessoas podem provar a renda de outras formas, como apresentando extratos bancários e comprovantes da declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF).

Para o vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, a desburocratização do setor é o grande desafio dos bancos atualmente. “Para o banco interessa flexibilizar a parte burocrática, até onde a lei permite, para atrair consumidores. Muitos assinam contratos de financiamento de 20 anos”, afirmou.

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) de São Paulo, José Augusto Viana Neto, admite que essas mudanças serviram para reduzir o tempo de concessão do crédito. Contudo, ele argumenta que ainda é necessário investir mais para melhorar o sistema. “Chegamos a perder bons negócios por conta dessa demora”, reclamou.

O Jornal da Tarde fez um ‘test drive’ em instituições financeiras para verificar as exigências na hora da concessão do crédito. A reportagem apurou que a maior parte dos bancos só exige a entrega de holerites para comprovar a renda dos trabalhadores formais. Os autônomos só precisam levar extratos bancários, para verificar a movimentação financeira, e comprovantes de declaração do Imposto de Renda.

O Itaú, por exemplo, pede que os consumidores levem apenas a última declaração do imposto (com todas as folhas) e extratos dos últimos três meses. Já no Santander Banespa, deve-se apresentar as últimas duas declarações e os extratos de seis meses.

O Banco do Brasil, recém-ingresso no mercado de crédito imobiliário, é o mais burocrático para liberar o financiamento a quem não possui holerite: é preciso entregar as três últimas declarações de Comprovação de Rendimentos (Decore), que são obtidas com contadores e servem para apontar os rendimentos.

Quem quiser financiar um imóvel pelo HSBC é obrigado a mostrar, além dos últimos três extratos, algum documento que comprove a atividade de autônomo, como o alvará de funcionamento da empresa, caso seja um negócio legalmente constituído, ou um contrato de prestação de serviços, se for um prestador.

O ‘calvário’ pode durar até três meses

Mesmo com todos os esforços dos bancos em agilizar a liberação do dinheiro, o prazo ainda é considerado longo pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) de São Paulo e pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon). Dependendo da situação, a instituição financeira pode demorar até 90 dias para chamar o interessado para assinar o contrato.

O Jornal da Tarde também procurou os serviços de atendimento ao cliente dos bancos para verificar a previsão de liberação do financiamento. O Itaú foi o mais rápido encontrado na última semana. Na empresa, após a avaliação da proposta de crédito, o cliente espera apenas 20 dias úteis para receber o dinheiro. No Real, entretanto, o prazo é mais longo: pode chegar a 60 dias, caso a papelada não chegue em ordem ou se o interessado perder os prazos de validade de certidões.

O Banco do Brasil, que começou a trabalhar com financiamento habitacional recentemente, ainda está adequando os procedimentos, segundo informou o atendente. Por conta disso, o mutuário que tem o crédito aprovado pode esperar até três meses para conseguir os recursos. Contudo, o Banco do Brasil, que trabalha em parceria com uma entidade de crédito chamada Poupex, possui funcionários especializados para a análise dos processos, o que pode agilizar o processo de avaliação dos papéis. Sendo assim, se a pessoa entregar a documentação em ordem, o financiamento poderá ser aprovado em cerca de 20 dias corridos.

De qualquer forma, a meta das empresas do setor é reduzir ainda mais esse prazo. De acordo com o Creci, o esforço poderá reduzir esse tempo para no máximo 15 dias até o fim deste ano, caso o processo de desburocratização evolua.

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